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Sobre Palavras

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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

O glamour é filho da gramática. E agora?

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Por Sérgio Rodrigues 14 nov 2010, 15h23 | Atualizado em 31 jul 2020, 13h37

Associações inesperadas entre palavras aparentemente distantes são um prazer que aguarda a cada esquina qualquer um que aborde a etimologia com espírito livre de poeta e não de lexicógrafo vetusto. Escavam num instante túneis vertiginosos na pedreira do real, onde caímos como Alice no buraco do coelho. O cruzamento da gramática com o glamour, no qual esbarrei por acaso outro dia, lendo o neurolinguista Steven Pinker, é um desses estranhos portais.

Sim, o glamour – palavra da língua inglesa que adotamos amplamente por aqui e que significa, como se sabe, “atração, charme pessoal, encanto” – é um filho natural de grammar, isto é, gramática. Como isso foi acontecer? Simples: uma variação escocesa de grammar, gramarye, virou glamour ao ser reintroduzida na corrente principal da língua. Sir Walter Scott, escritor de sucesso na virada entre os séculos 18 e 19, fez muito por sua popularização.

Até aí tudo certo, mas… o que tem a ver uma coisa com a outra? Que glamour, charme, atração pode exercer a gramática – que em última análise saiu do grego grammatiké, “ciência ou arte de ler e escrever” –, essa disciplina que todo mundo encara como árida ou no mínimo difícil? Como a gramática conseguiu ser vista não só como encantadora, mas merecedora de dar nome ao próprio encanto?

É aí que entramos no túnel do tempo. Um dos sentidos expandidos de grammar no inglês medieval era o de “qualquer tipo de conhecimento elevado, especialmente em ciências ocultas”. O glamour se situava no encontro entre o saber e a magia. Ser culto, ilustrado, saber mais do que as pessoas comuns era o que garantia então ao glamouroso seu irresistível encanto. A era “Vogue” viria bem mais tarde.

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