O aborto e o anencéfalo
Compartilhe essa matéria: Link copiado! Plenário do STF (Nelson Jr./SCO/STF) A interrupção da gravidez nos casos em que o feto não tem cérebro, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal esta semana em decisão histórica, é um tema que reúne duas palavras que no fundo têm algo em comum: ambas, aborto e anencéfalo, são formadas por negação. […]
A interrupção da gravidez nos casos em que o feto não tem cérebro, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal esta semana em decisão histórica, é um tema que reúne duas palavras que no fundo têm algo em comum: ambas, aborto e anencéfalo, são formadas por negação.
O termo anencéfalo estreou em português em 1871, no dicionário de Frei Domingos Vieira, com a grafia anencéphalo. Um dos milhares de cultismos científicos em que a época era pródiga, tratava-se de termo criado com elementos clássicos: o prefixo de negação de origem grega an- e o substantivo também grego egképhalos, “o que está dentro da cabeça, miolo”.
Já aborto, do latim abortus, é mais antigo: leva a data de 1594 no Houaiss. Trata-se, em latim, da forma nominal do verbo aboriri, que não chegou até nós. Oriri é “despontar, nascer, fazer-se, erguer-se”, verbo frequentemente aplicado ao sol nascente. Já aboriri (ab + oriri, com um prefixo de emprego eclético indicando neste caso a negação de oriri) é o exato oposto: “desaparecer no horizonte, morrer, desfazer-se”. Aboriri é aplicado ao sol poente, à voz que falta, a tudo que fenece – e especialmente ao feto natimorto.








