Oferta hexa: Assine por apenas 7,99
Imagem Blog

Sobre Palavras

Por Sérgio Rodrigues Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Monólogos da linguiça

Compartilhe essa matéria: Link copiado! Priorizar nos meus resultados Google Entre as ameaças à liberdade de expressão, a força bruta usada pelos terroristas que massacraram os humoristas franceses é certamente a mais violenta e chocante, mas talvez não seja a mais efetiva. Duas notícias que circularam com relativa discrição nos últimos dias – uma nos […]

Por Sérgio Rodrigues 18 jan 2015, 09h00 | Atualizado em 31 jul 2020, 02h18
Monólogos da linguiça Priorizar nos meus resultados Google

linguicaEntre as ameaças à liberdade de expressão, a força bruta usada pelos terroristas que massacraram os humoristas franceses é certamente a mais violenta e chocante, mas talvez não seja a mais efetiva.

Duas notícias que circularam com relativa discrição nos últimos dias – uma nos Estados Unidos, outra na Inglaterra – demonstram o estrago que pode fazer o cala-essa-maldita-boca quando o inimigo se julga imbuído das mais virtuosas intenções.

Um colégio americano só de mulheres, o Mount Holyoke, do estado de Massachusetts, decidiu – por deliberação das próprias estudantes – suspender a apresentação da famosa peça “Monólogos da vagina” (leia mais, em inglês, aqui).

Motivo: “No fundo, o espetáculo oferece uma perspectiva extremamente estreita sobre o que significa ser uma mulher”. Tradução: mulheres transexuais não estavam representadas. Hein?

Achei mais grave ainda, por envolver uma instituição venerável da cultura britânica, a revelação – confirmada pela editora – de que a Oxford University Press está instruindo seus autores de livros infantis a evitar toda menção a “porcos, linguiça ou qualquer outra coisa que sugira carne suína”.

Continua após a publicidade

Motivo: não ofender jovens leitores muçulmanos e judeus. Peppa, nem pensar. Tradução: You’re joking, right?

Acabei de ler isso e fui correndo buscar na estante um livrinho brilhante lançado em 1993 pelo falecido crítico de arte australiano Robert Hughes, chamado “Cultura da reclamação”. Trata-se de uma condenação feérica de nossa “infantilizada cultura da lamentação, em que o Papaizão é sempre o culpado, e a ampliação de direitos prossegue sem a outra metade da cidadania – a ligação com deveres e obrigações”.

Certeiro, Hughes faz sobre os EUA uma constatação que vale para todo o Ocidente: “O ego é hoje a vaca sagrada da cultura americana, a autoestima é sacrossanta… A gama de vítimas existentes há dez anos – negros, chicanos, índios, mulheres, homossexuais – hoje foi ampliada para incluir toda variação do gago, do cego, do aleijado e do baixo… É como se todo encontro humano fosse um grande ponto sensível, eriçado de oportunidades de involuntariamente distribuir, e receber, ofensas”.

Continua após a publicidade

Sendo assim, nada de vaginas nem de linguiças porque o pessoal pode se ofender e não existe o que seja pior do que isso. Aliás, o fato de vaginas e linguiças aparecerem na mesma frase já é em si terrivelmente ofensivo, vocês não acham?

Por essa infeliz coincidência o autor pede desculpas a todos os seus leitores e leitoras de todos os sexos e religiões já inventados ou ainda por inventar, está bem?

Que mundo mais idiota vamos deixar para os nossos filhos.

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
OFERTA CAMPEÂ

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00) + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).