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Sobre Palavras

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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Manjedoura, o cocho do presépio

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Por Sérgio Rodrigues 20 dez 2011, 13h07 | Atualizado em 31 jul 2020, 09h52
Manjedoura, o cocho do presépio Priorizar nos meus resultados Google

Manjedoura é uma daquelas palavras que, como panetone, só existem no Natal. Não, eu não ignoro que manjedoura – “tabuleiro em que se deposita comida para vacas, cavalos etc. em estábulos” (Houaiss) – é um termo vernacular nascido no século 15. O que quero dizer é que, ofuscado na língua da pecuária brasileira do dia a dia por um sinônimo popular como cocho ou coche, tornou-se um vocábulo de ares nobres que vive quase exclusivamente do papel que desempenha nos presépios, como nome do berço improvisado do recém-nascido Jesus.

A origem da palavra manjedoura está cercada de controvérsia. É evidente, em sua composição, a influência remota do latim manducare (mastigar), que gerou o francês manger, o italiano mangiare e o português manjar (todos verbos que significam comer, ingerir alimentos). A isso, foi só juntar o sufixo -douro, que indica o local onde se passa a ação, para ter manjedoura. A dúvida é se a formação se deu já em português ou por influência do italiano mangiatoia, vocábulo que precede manjedoura em mais de dois séculos.

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