Receba 4 Revistas em casa por 35,90/mês
Imagem Blog

Sobre Palavras

Por Sérgio Rodrigues Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Juros, o ‘roubo do tempo’

Compartilhe essa matéria: Link copiado! O aumento da taxa Selic, que pegou o mercado de surpresa na quarta-feira, faz de “juros” a Palavra da Semana e me leva a reproduzir abaixo um texto do distante ano de 2008, escrito para a coluna que eu mantinha então na finada “Revista da Semana”, da editora Abril: Mais […]

Por Sérgio Rodrigues 31 out 2014, 14h00 | Atualizado em 31 jul 2020, 02h44

O aumento da taxa Selic, que pegou o mercado de surpresa na quarta-feira, faz de “juros” a Palavra da Semana e me leva a reproduzir abaixo um texto do distante ano de 2008, escrito para a coluna que eu mantinha então na finada “Revista da Semana”, da editora Abril:

Mais usada no plural, a palavra juro pertence ao grupo das descendentes do latim jus, juris (direito de propriedade, justiça, documento que estabelece um direito). Mas como os juros chegaram a ser parentes do jurisconsulto, que parece tão distante deles?

A tese mais aceita é a de que o sentido de rendimento gerado pelo próprio dinheiro derivou de um estreitamento semântico. Em outras palavras: o contrato em que o devedor assumia o direito de usar o dinheiro do credor passou a nomear o valor que ele pagava por isso. Simples.

Acontece que a etimologia – como a economia, aliás – nunca foi uma ciência exata. Certos filólogos antigos iam buscar a origem de juro no latim usura, que tem história bem diferente, ligada a usus, uso – neste caso, usufruto do dinheiro alheio. A tese foi abandonada, mas como negar que, mesmo sendo outro o étimo de juro, o sentido de usura o tenha contaminado?

Palavra que também tomou assento no vocabulário do português, usura é um sinônimo de juro em sua acepção básica. O que muda é a conotação, o valor simbólico de cada termo. Juro é neutro – apesar dos esforços do BC no sentido de torná-lo um dos megavilões do capital produtivo. Já a usura tem carga tão negativa que ganhou uma outra acepção, a de ganho financeiro extorsivo, agiotagem. Foi dando aos juros o nome de usura que a Igreja Católica passou boa parte da Idade Média a esconjurá-los, chegando a condenar usurários à morte na fogueira.

Um documento eclesiástico do século XIII, citado pelo historiador francês Jacques Le Goff, é poético ao dizer que “os usurários são ladrões, pois vendem o tempo, que não lhes pertence”. A poesia era rentável: morto o usurário, seus bens eram incorporados ao patrimônio da Igreja.

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).