Forró vem de ‘for all’? Conta outra!
Compartilhe essa matéria: Link copiado! Priorizar nos meus resultados Google “Sempre ouvi dizer que a palavra forró vem de ‘for all’, que significa ‘para todos’, por causa das festas dos militares estadunidenses que trabalhavam na base de Natal. Existe até um filme com esse nome. Ontem uma amiga me corrigiu dizendo que isso é besteira. […]
“Sempre ouvi dizer que a palavra forró vem de ‘for all’, que significa ‘para todos’, por causa das festas dos militares estadunidenses que trabalhavam na base de Natal. Existe até um filme com esse nome. Ontem uma amiga me corrigiu dizendo que isso é besteira. Afinal, é besteira ou não? De onde veio o forró?” (Iasmin Teixeira)
Tudo indica que a amiga de Iasmin está certa. A tese que deriva a brasileiríssima palavra forró do inglês for all é, segundo os etimologistas sérios, apenas uma dessas lendas engraçadinhas que vicejam no reino das palavras. Como um vocábulo que já estava dicionarizado por Cândido de Figueiredo em 1913 poderia ter sido criado na Segunda Guerra?
O mais provável é que forró, “baile popular em que casais dançam ao som de ritmos nordestinos”, seja simplesmente a forma reduzida de forrobodó, termo existente no português desde o século 19 e de significado igualmente festivo, embora não restrito ao Nordeste do Brasil. Registrada em dicionário pela primeira vez em 1899, a palavra dá nome a uma opereta de Chiquinha Gonzaga que estreou em 1911 no Rio de Janeiro.
A origem do vocábulo forrobodó está cercada de alguma controvérsia. Há quem sustente, com pouca credibilidade, que nasceu no banto, grupo linguístico africano. Não falta sequer uma lenda – esta hilariante – que aprofunda a maluquice da origem anglófona de forró e vê em forrobodó uma transliteração de for all but dogs, ou seja, “para todos, menos cachorros”.
A tese que parece mais sólida pode ser encontrada no Houaiss, que cita o gramático Evanildo Bechara para afirmar que forrobodó saiu do galego forbodó, “baile popular”, por sua vez derivado do francês faux-bourdon, que tem o sentido de “desentoação”. Mas por que desentoação? É que, segundo o escritor galego Fermín Bouza-Brey, o forbodó era movido “a golpes de bumbo em pontos monorrítmicos monótonos”, o que não impedia ninguém de dançar “com absoluta seriedade”.
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