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Sobre Palavras

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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

‘Eu, particularmente’ é uma expressão redundante?

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Por Sérgio Rodrigues 30 jun 2011, 17h35 • Atualizado em 31 jul 2020, 11h29
  • “Tenho uma implicância terrível com a expressão ‘eu, particularmente’, que muitos usam em entrevistas televisadas para expressar opinião sobre determinado tema. Esta é uma expressão aceita na nossa linguagem? (Giselda de Sales Bicalho)

    “Ouço algumas pessoas, principalmente quando vão dar opinião sobre um assunto qualquer, iniciarem a frase assim: ‘Eu, pessoalmente, acho que…’ ou ‘ Eu, particularmente, acho que…’. Gostaria de saber se tal construção configura uma redundância. Pois acho que se é minha opinião, só pode ser pessoal ou particular, dispensando então o ‘pessoalmente’ ou ‘particularmente’.” (Miguel Gomes)

    A implicância de Miguel e Giselda é compreensível: andam sem dúvida abusando da expressão “eu, particularmente (ou pessoalmente)”. No entanto, eu (particularmente?) não condenaria essa construção de modo sumário como mero vício de linguagem e redundância sem sentido. Dependendo do contexto, ela pode ser funcional.

    Trata-se de uma introdução que estabelece um segundo nível de opinião, mais pessoal, contra outro que se poderia chamar de público. Quem diz “eu, particularmente, sempre dirigi muito bem depois de tomar dois chopes” pode, sem cair em contradição, emendar: “Mas apoio inteiramente a Lei Seca”. Da mesma forma, o deputado que defende o apoio de toda a bancada a alguma posição tomada por seu partido pode acrescentar que, “particularmente”, pensa um pouco diferente, mas considera a lealdade um valor maior.

    São apenas dois exemplos. A vida é cheia de situações assim. Isso não quer dizer que todas as ocorrências de “eu, particularmente” sejam tão bem fundamentadas. Pelo contrário: o fato de dois leitores terem aparecido aqui com a mesma dúvida prova que a expressão se tornou, no mínimo, um modismo. É aí que reside o verdadeiro risco, a meu ver: menos numa possível redundância do que na repetição irrefletida de clichês, um pecado a que todos estamos sujeitos.

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