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Sobre Palavras

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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Escroques e crápulas

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Por Sérgio Rodrigues 10 dez 2013, 13h39 • Atualizado em 31 jul 2020, 04h50
  • dick-vigarista-e-mutleySão duas, interligadas pelo sentido, as curiosidades etimológicas desta semana: aquelas que cercam as palavras escroque e crápula, dois termos profundamente ofensivos ao caráter de quem se vê nomeado assim.

    Escroque é o “indivíduo que se apodera de bens alheios por manobras fraudulentas”, segundo o Aurélio. Crápula, aquele que é “inescrupuloso; que comete vilezas; canalha”, na definição do Houaiss. Como se sabe, nenhum deles anda em falta por aí, mas as palavras não são tão assíduas: mesmo sendo tão sonoras, gostosas de pronunciar, ambas têm hoje um jeitão meio cômico de época.

    A mais antiga das duas é crápula, termo do fim do século XVIII, derivado do latim clássico crapula. Este queria dizer apenas “embriaguez” ou “mal-estar provocado por excesso de comida ou bebida”, mas entre nós, por uma associação de ideias que passou pelo desregramento e pela libertinagem, chegou à canalhice.

    Escroque é aquisição mais recente, uma adaptação do termo francês escroc, de idêntico sentido, que por sua vez viera do italiano scrocco (“golpe, calote”). Segundo a datação do Houaiss, a palavra foi usada pela primeira vez em português em 1914, numa edição da revista “Fon-Fon”, ainda com a grafia francesa.

    Para surpresa de muita gente, escroque não guarda relação etimológica alguma com “escroto”, embora seja possível que a semelhança sonora tenha dado uma contribuição ao grande número de sentidos negativos que este tabuísmo brasileiro coleciona.

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