Discordo do que você diz, mas…
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“Discordo do que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo”, disse o pensador francês Voltaire, cunhando a máxima mais citada pelos defensores da liberdade de expressão. Ou não?
Pois é, tudo indica que não foi bem assim. Se formos aplicar o princípio acima, qualquer pessoa deve ser defendida até a morte por dizer que Voltaire disse isso, mas parece que não foi ele.
A verdadeira autora da frase “voltairiana” é a escritora inglesa Evelyn Beatrice Hall, nascida em 1868, que, com o pseudônimo S.G. Tallentyre, é autora de uma biografia do pensador francês chamada “Os amigos de Voltaire”.
O mal-entendido nasceu do fato de que Hall escreveu a famosa frase em seu livro numa tentativa de sumarizar o pensamento do biografado. Desde então, obscureceu-se o detalhe de que as palavras eram dela.
A inglesa parafraseava o francês, mas acabou competindo com ele. Sua máxima, mais simples e direta, terminou por desbancar na memória coletiva a formulação que Voltaire deu à mesma ideia: “Detesto o que o senhor escreve, mas daria minha vida para lhe permitir continuar escrevendo”.
Coube a outro inglês, o dramaturgo Tom Stoppard, uma genial subversão do dito de Tallentyre/Voltaire: “Concordo com tudo o que você diz, mas atacarei até a morte seu direito de dizê-lo”.
Naturalmente, existe também a subversão banal, estúpida e selvagem, que nunca esteve em baixa no mundo mas que hoje, no Brasil, vive uma disparada digna de rivalizar com a do dólar: “Discordo do que você diz, e atacarei até a morte seu direito de dizê-lo”.
O pior é que “até a morte” vai perdendo o jeito de ser só uma figura de linguagem.






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