Receba 4 Revistas em casa por 32,90/mês
Imagem Blog

Sobre Palavras

Por Sérgio Rodrigues Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Discordo do que você diz, mas…

Compartilhe essa matéria: Link copiado! “Discordo do que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo”, disse o pensador francês Voltaire, cunhando a máxima mais citada pelos defensores da liberdade de expressão. Ou não? Pois é, tudo indica que não foi bem assim. Se formos aplicar o princípio acima, qualquer pessoa deve […]

Por Sérgio Rodrigues 15 mar 2015, 10h00 | Atualizado em 31 jul 2020, 01h52

“Discordo do que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo”, disse o pensador francês Voltaire, cunhando a máxima mais citada pelos defensores da liberdade de expressão. Ou não?

Pois é, tudo indica que não foi bem assim. Se formos aplicar o princípio acima, qualquer pessoa deve ser defendida até a morte por dizer que Voltaire disse isso, mas parece que não foi ele.

A verdadeira autora da frase “voltairiana” é a escritora inglesa Evelyn Beatrice Hall, nascida em 1868, que, com o pseudônimo S.G. Tallentyre, é autora de uma biografia do pensador francês chamada “Os amigos de Voltaire”.

O mal-entendido nasceu do fato de que Hall escreveu a famosa frase em seu livro numa tentativa de sumarizar o pensamento do biografado. Desde então, obscureceu-se o detalhe de que as palavras eram dela.

A inglesa parafraseava o francês, mas acabou competindo com ele. Sua máxima, mais simples e direta, terminou por desbancar na memória coletiva a formulação que Voltaire deu à mesma ideia: “Detesto o que o senhor escreve, mas daria minha vida para lhe permitir continuar escrevendo”.

Continua após a publicidade

Coube a outro inglês, o dramaturgo Tom Stoppard, uma genial subversão do dito de Tallentyre/Voltaire: “Concordo com tudo o que você diz, mas atacarei até a morte seu direito de dizê-lo”.

Naturalmente, existe também a subversão banal, estúpida e selvagem, que nunca esteve em baixa no mundo mas que hoje, no Brasil, vive uma disparada digna de rivalizar com a do dólar: “Discordo do que você diz, e atacarei até a morte seu direito de dizê-lo”.

O pior é que “até a morte” vai perdendo o jeito de ser só uma figura de linguagem.

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).