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Sobre Palavras

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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Da vitrola ao jabá

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Por Sérgio Rodrigues 26 fev 2013, 15h24 • Atualizado em 31 jul 2020, 06h47
  • victrolaSinônimo popular de toca-discos, a palavra vitrola – que a onda digital vem tentando transformar em arcaísmo, mas por enquanto não conseguiu – tem uma história curiosa. E fértil.

    Quando surgiu em inglês em 1905, Victrola (veja anúncio ao lado) era a marca registrada do gramofone da Victor Talking Machine Co. Segundo declarado na época pelo fabricante, o nome “tinha um som sugestivo de música”. Mais tarde, no Brasil, a palavra passou a ser empregada como sinônimo tanto de eletrola (palavra que inspirou), aparelho que incorporava toca-discos, amplificador e alto-falante, quanto simplesmente de toca-discos.

    A sugestão para a terminação em “ola” vinha de pianola, outra marca registrada. Poucos anos mais velha que Victrola, a palavra nomeava um piano mecânico que, acionado por pedais, executava a música que tivesse sido gravada num rolo de papel perfurado. Consta que seu batismo foi inspirado na palavra viola.

    O sufixo diminutivo “ola” não foi inventado pela viola. É de origem latina e tem largo emprego em português: bandeirola, camisola, casinhola, castanhola, sacola, beiçola e gabola são só alguns exemplos. Mas dentro da grande família de palavras que gerou, foi sem dúvida o ramo musical da viola e da pianola, passando pela Victrola, que viu nascer no inglês dos anos 1930 uma gíria que pegou: payola significa suborno, especialmente o que as gravadoras pagam a programadores de rádio para que executem certas faixas.

    A payola, como se vê, tem em português uma tradução perfeita até na informalidade: jabá. A origem é que não poderia ser mais distinta. Jabá é a forma reduzida de jabaculê, termo de etimologia meio obscura em que o dicionarista Nei Lopes enxerga uma possível origem banta: o quimbundo bakula quer dizer “pagar” e o quicongo nza-báaku, “sabão”. Como se costuma dizer que quem suborna “molha a mão” de alguém…

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