Receba 4 Revistas em casa por 32,90/mês
Imagem Blog

Sobre Palavras

Por Sérgio Rodrigues Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Como a língua constrói seu pensamento

Compartilhe essa matéria: Link copiado! Leio na revista do “New York Times” um ótimo artigo do linguista Guy Deutscher, que já no título dá um jeito de resumir da forma mais simples possível a questão enrolada que trata de investigar: “A linguagem molda sua forma de pensar?” A resposta que Deutscher aponta, sem a pretensão […]

Por Sérgio Rodrigues 5 set 2010, 14h12 | Atualizado em 31 jul 2020, 14h20

Leio na revista do “New York Times” um ótimo artigo do linguista Guy Deutscher, que já no título dá um jeito de resumir da forma mais simples possível a questão enrolada que trata de investigar: “A linguagem molda sua forma de pensar?” A resposta que Deutscher aponta, sem a pretensão de esgotar um tema em que linguistas e psicólogos evolucionários ainda terão que ralar à beça, é instigante. Tudo indica que sim, o idioma materno molda em alguma medida nossos pensamentos. Mas não por nos impedir de pensar alguma coisa e sim por nos induzir a pensar outra. Convém explicar.

O artigo começa descrevendo o furor provocado nos meios intelectuais dos anos 1940 por um engenheiro químico chamado Benjamin Lee Whorf, que lançou a ideia de que as línguas estruturam nosso pensamento a tal ponto que os índios americanos, por exemplo, seriam simplesmente incapazes de compreender conceitos como o fluxo do tempo, por lhe faltarem palavras para tanto. Essa teoria chegou a gozar de grande prestígio popular – e pode ser considerada a responsável remota por um modismo recente como o da Programação Neurolinguística –, antes de ser desmascarada como simplória.

Não, nenhuma língua nos impede de pensar coisa alguma. Para ficar no exemplo citado por Deutscher, Schadenfreude é uma palavra que só existe em alemão (ou em idiomas que foram buscá-la no alemão), mas isso não dificulta em nada para um falante de chinês ou turco a compreensão da ideia de que se pode sentir prazer com a desgraça alheia. No âmbito do português, costumamos nos orgulhar de sermos os únicos donos da palavra saudade (que o espanhol importou com a mesma grafia), mas seria absurdo supor que a falta de um termo perfeitamente equivalente impeça o falante de qualquer língua de sofrer com a ausência do que ama.

A tese de que a influência das línguas é positiva e não negativa, ou seja, se dá pelos pensamentos que elas induzem e não pelos que vetam, ainda é pouco mais que uma hipótese promissora. No entanto, segundo o artigo, vem resistindo bem ao teste das pesquisas sobre gêneros diferentes que substantivos comuns assumem em dois ou mais idiomas. Quando lhes pedem que atribuam voz a um garfo, franceses optam por um tom agudo (la fourchette) enquanto espanhóis preferem um timbre grave (el tenedor). O que ainda é pouco, quase nada, mas abre caminhos. Como especula Deutcher: “Será que os gêneros opostos de ‘ponte’ em alemão e espanhol, por exemplo, tiveram alguma influência nos projetos de pontes na Espanha e na Alemanha?”

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).