Cerca-lourenço
Compartilhe essa matéria: Link copiado! – Serei rápido, sucinto, objetivo. – Opa, que bom. – Direto ao ponto. Sem guéri-guéri. Sem nove horas. Sem enrolação. – Certo. Siga ENTRAR NO CANAL GOOGLE NEWS GOOGLE DISCOVER Seguir no Instagram Seguir no YouTube Seguir no Facebook Seguir no X Seguir no Linkedin Seguir no Threads Seguir no […]
– Serei rápido, sucinto, objetivo.
– Opa, que bom.
– Direto ao ponto. Sem guéri-guéri. Sem nove horas. Sem enrolação.
– Certo.
– Ninguém tem tempo a perder, não é verdade? Quem hoje em dia tem paciência para o cerca-lourenço, me diz?
– Ninguém, realmente.
– Pois então. É por isso que eu vou ser breve. Fulminante.
– Ótimo.
– Talvez até corra o risco de ser considerado indelicado. Como se fosse falta de educação o que na verdade é o máximo da consideração, quer dizer, a consideração não apenas pela inteligência do interlocutor mas pelo tempo dele também, por todos os aspectos da sua vida.
– Tá.
– Consideração até por aquilo que muita gente não considera relevante e que é a elegância da expressão, a perfeita adequação de forma e conteúdo que é uma das mais clássicas definições do belo, de acordo com…
– Escuta, eu entendi. Pode falar sem susto.
– Falar?
– Pode falar o que você tinha para falar. Você não disse que ia direto ao ponto, sem enrolação?
– Disse?
– E também que seria rápido, objetivo.
– Disse, é. Disse.
– E então? O que você queria me dizer?
– É que… bem, sua barguilha está aberta.
– Nossa, e não é que está mesmo? Obrigado.
– Sua cueca é azul.
– Isso eu sei.
– Samba-canção.
– Como? Hehe, você está com o olho bom.
– Mais confortável, não é?
– Hã… Olha, eu preciso ir, estou atrasadíssimo para um compromisso.
– Azul da cor do mar.
– Até qualquer dia, hein?
– Com botões brancos. Branquíssimos. Sobre um azul levemente puxado para o verde, contraste notável. Puxa, mas logo agora que eu ia servir um uisquinho?





