Barroso, o novato
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Na anticlimática quinta-feira, 12 de setembro, em que a votação do Supremo Tribunal Federal sobre os embargos infringentes no caso do mensalão terminou empatada em cinco a cinco, com o voto decisivo do decano Celso de Mello transferido para a semana que vem, chamou a atenção o bate-boca entre Marco Aurélio Mello, contrário à aceitação do embargo, e Luís Roberto Barroso (foto), favorável. E, nessa discussão, chamou mais atenção ainda a palavra “novato”.
“Vejo que o novato parte para a crítica contra o próprio colegiado”, disse Marco Aurélio, com sorriso irônico de veterano, depois que o ministro recém-empossado afirmou não se pautar “pelo que vai dizer o jornal no dia seguinte”. Se a votação tivesse ido até o fim, a palavra da semana certamente teria mais substância – para o bem ou para o mal. Como não foi, é “novato” mesmo.
Adjetivo e substantivo, novato existe em português desde meados do século XVII. Tudo indica que o importamos do espanhol novato, este por sua vez vindo do latim novatus, “novo, feito há pouco”. Mas não é a origem que interessa e sim o fato de que novato se reveste desde sempre de um tom depreciativo. Em sua carga semântica, a novidade e a juventude – que poderiam, em outro contexto, ser exaltadas como valores em si – deixam em evidência “a inexperiência, a falta de maturidade”, nas palavras do Houaiss.
Entre as acepções abertamente pejorativas de novato, o dicionário registra “imperito, incompetente, inepto”, “indivíduo que demonstra (…) ingenuidade para realizar certas tarefas” e até “indivíduo natural de Portugal”, regionalismo sulista caído em desuso.





