Oferta Dia dos Pais: Receba 4 Revistas em casa por 32,90
Imagem Blog

Sobre Palavras

Por Sérgio Rodrigues Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

‘Assumir’ pode ter o sentido de ‘supor’?

Compartilhe essa matéria: Link copiado! Priorizar nos meus resultados Google “Caro Sérgio, há algum tempo eu venho discutindo com amigos o uso que se faz do verbo ‘assumir’, principalmente em meios acadêmicos, onde as presunções feitas para se chegar a uma conclusão precisam ficar explícitas. Desde que eu entrei na Universidade, em 2001, usa-se correntemente […]

Por Sérgio Rodrigues 9 dez 2013, 10h45 | Atualizado em 5 jun 2024, 10h26
‘Assumir’ pode ter o sentido de ‘supor’? Priorizar nos meus resultados Google

“Caro Sérgio, há algum tempo eu venho discutindo com amigos o uso que se faz do verbo ‘assumir’, principalmente em meios acadêmicos, onde as presunções feitas para se chegar a uma conclusão precisam ficar explícitas. Desde que eu entrei na Universidade, em 2001, usa-se correntemente o verbo assumir no seu sentido inglês, de presumir. No entanto, o que me parece correto é que, em português, assumir não assume o sentido de presumir. É isso mesmo?” (Petterson Vale)

É isso mesmo, com uma única ressalva: as línguas vivas estão em constante movimento. No português vernacular o verbo “assumir” tem apenas os sentidos que trouxe do latim assumere, todos próximos da ideia central de “tomar para si”. Não é sinônimo de “supor, admitir, presumir”.

Essa ampliação do significado do verbo por contágio de outro idioma – no caso, como aponta acertadamente Petterson, o inglês – chama-se estrangeirismo semântico, aquele que, em vez de introduzir na língua um novo vocábulo, modifica o sentido de uma palavra já existente no vernáculo. Algo semelhante vem ocorrendo com o verbo “realizar”, que muita gente emprega na acepção anglófona de “compreender, dar-se conta de”.

Tais acepções emergentes podem ser vistas como deselegantes e até denotar um domínio precário da língua. Os falantes menos tolerantes chegam – com certa dose de razão – a apontar no fenômeno sinais de subserviência cultural. Nada disso impede a vitória dos estrangeirismos semânticos quando um número significativo de falantes os adota. Veja-se o caso do adjetivo bizarro, comentado recentemente aqui.

O Houaiss registra a nova acepção de assumir como própria do vocabulário da filosofia. Petterson refere-se à linguagem acadêmica em geral. Bons observadores percebem que a novidade já pulou o cercadinho da universidade faz tempo.

Continua após a publicidade

O inglês to assume tem a mesma origem latina de nosso “assumir” e, a princípio, carregava o mesmo sentido. Data de fins do século XVI, segundo Douglas Harper, seu primeiro emprego com o significado de “supor, admitir como verdade para fins argumentativos”.

Acrescenta o dicionarista que, “em termos retóricos, assumir expressa aquilo que se postula, frequentemente como hipótese explícita; presumir expressa o que se acredita ser verdadeiro”. Se deixarmos de lado a hipótese nunca desprezível da tradução preguiçosa, essa sutil distinção feita pelo inglês pode estar na origem da adoção do novo sentido de assumir entre nós – como se “supor” e “admitir” não dessem conta do recado.

Em termos realistas, porém, talvez seja tarde para lutar contra isso.

Continua após a publicidade

*

Envie sua dúvida sobre palavra, expressão, dito popular, gramática etc. Às segundas e quintas-feiras o colunista responde ao leitor na seção Consultório. E-mail: sobrepalavras@todoprosa.com.br

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
OFERTA RELÂMPAGO

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 29,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).