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Álibi, um advérbio que subiu na vida

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Por Sérgio Rodrigues 27 ago 2013, 15h15 | Atualizado em 31 jul 2020, 05h31
Álibi, um advérbio que subiu na vida Priorizar nos meus resultados Google

O substantivo masculino álibi – que nasceu no vocabulário legal, mas não demorou a transbordar para a linguagem comum – guarda uma curiosidade: a palavra latina alibi, que está na sua origem, era um advérbio e não um substantivo.

Como se sabe, a principal acepção de álibi é “defesa que o réu apresenta quando pretende provar que não poderia ter cometido o crime por, por exemplo, encontrar-se em local diverso daquele em que o crime de que o acusam foi praticado” (Houaiss). Por extensão de sentido, segundo o mesmo dicionário, surgiu mais tarde a acepção informal de “justificação ou escusa aceitável”.

Em latim, além de ser um advérbio, a palavra não tinha aplicação legal. Formada pela junção de alius (“outro”) e ibi (“ali, em tal lugar”), queria dizer apenas isso, “em outro lugar”, sentido para o qual o português tem uma palavrinha tão charmosa quanto desusada: “alhures”.

Sua substantivação não se deu em latim, mas se relaciona ao fato de o direito romano ter fornecido a base – e a língua – dos sistemas legais do Ocidente. O mais antigo registro de alibi com seu sentido moderno aparece num texto francês de 1394, segundo o Trésor de la Langue Française.

Como a palavra só penetrou na língua inglesa com tal papel no último quarto do século XVIII, de acordo com a datação do Webster’s, é legítimo supor que o francês foi seu irradiador. Em português a demora foi ainda maior: álibi ganhou seu primeiro registro oficial em 1858 no clássico dicionário de Antonio de Morais Silva.

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