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Ricardo Rangel

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Zema foi mal interpretado. De novo

Mas se explicou. O governador sempre se explica

Por Ricardo Rangel Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 13 Maio 2024, 22h56 - Publicado em 8 ago 2023, 17h08

Romeu Zema comparou Norte e Nordeste a “vaquinhas que produzem pouco” e se queixou de que regiões Sul e Sudeste “nunca” tiveram protagonismo político. Foi xingado da direita à esquerda — à exceção dos bolsonaristas, naturalmente.

Zema explicou que foi mal interpretado.

Ser mal interpretado não chega a ser raro na vida de Romeu Zema.

“Se há estados (os do Sul e Sudeste) que podem contribuir para este país dar certo, eu diria que são estes sete estados aqui. São estados onde, diferentemente da grande maioria, há uma proporção muito maior de pessoas trabalhando do que vivendo de auxílio emergencial”, afirmou, em junho. Zema não quis dizer que acha que fora do Sul e do Sudeste é todo mundo vagabundo. Foi erro de interpretação.

Zema citou Mussolini para defender a restrição de liberdade dos indivíduos. E teve a audácia de citar James Madison para criticar a democracia. (É uma falsificação: Madison, autor da Constituição americana e do Bill of Rights, é um dos pais da democracia moderna. Mas, na época, o termo era “república”: “democracia” significava um governo populista e demagógico, como o de Bolsonaro, de que Zema gosta.)

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Já a ditadura militar não foi ditadura. Zema apoiou Bolsonaro em 2018, continuou apoiando, apesar de tudo o que aconteceu, e apoiou de novo em 2022. Quanto ao 8 de Janeiro, descreveu como “erro” da direita e afirmou que o governo Lula fez vista grossa, deixou acontecer de propósito para se fazer de vítima.

Para Zema, a Conjuração Mineira — cujo lema está na bandeira do estado do qual é governador — foi um movimento golpista e Tiradentes, um criminoso.

Mas Zema não é inimigo da democracia. Foi só erro de interpretação.

Nem tudo é erro de interpretação, claro. Às vezes o governador simplesmente se equivoca. Acontece.

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Indagado sobre se estava ouvindo bem, respondeu “ouvo muito bem”. Presenteado em uma rádio com um livro de Adélia Prado, uma das maiores poetas brasileiras, perguntou se ela era funcionária da empresa. Em entrevista, disse que a metade de 513 era 561. Mas logo se corrigiu: “556. Agora que veio o número certo”.

Não é verdade que Sul e Sudeste nunca tenham tido protagonismo político, por sinal. Pelo contrário, a história mostra que Sul e Sudeste sempre mandaram no país. Norte e Nordeste passaram a ter super-representação no Congresso em 1977, por decisão unilateral de Geisel — que Zema deve considerar um democrata.

Zema também diz que é liberal.

Equívocos. Acontece com todo mundo.

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O que a gente se pergunta é como Zema pretende se viabilizar candidato a presidente tendo o hábito de insultar metade da população brasileira.

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