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Por que que a gente é assim?

Depois de Bolsonaro, esperava-se uma tranquilidade que não veio

Por Ricardo Rangel Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 jun 2024, 10h03 - Publicado em 28 jul 2023, 06h00

De golpistas e arruaceiros se esperam arruaça e golpe, mas o que dizer das forças que supostamente defendem a estabilidade e a democracia? Para Lula, a Ucrânia é culpada de ter sido invadida. Democracia é coisa relativa, depende de narrativa e há na Venezuela “excesso de democracia”. Lula xinga os EUA quanto pode. Há um tempo afirmou que “só vou estar bem quando fx$%* o Moro”. Nomeou o próprio advogado para o Supremo, a próxima vaga vai pelo mesmo caminho. Não vai respeitar a lista tríplice para a PGR (e há quem queira manter Aras!). Move uma guerra contra Roberto Campos. Extinguiu as escolas cívico-­militares sem motivo.

Por falar em militares, o Exército orientou Mauro Cid, culpado do que antigamente se chamava Alta Traição, a comparecer fardado à CPI. O Exército deveria levar Cid à Corte Marcial, mas prefere instruí-lo a intimidar um Poder da República. E faz lobby junto a outro para soltá-lo.

Alexandre de Moraes diz que tem motivos para manter Cid preso, mas não os revela, e Cid segue preso sem acusação. Anderson Torres ficou preso quatro meses e até hoje não foi acusado de nada. Há outros em situação similar. Durante a Lava-Jato, Gilmar Mendes descreveu como “tortura” o costume de prender, por tempo indefinido e sem acusação, para extrair delações premiadas.

“Para Lula, a Ucrânia é culpada de ter sido invadida e há na Venezuela “excesso de democracia”

Falando em Lava-Jato, o TSE, num ato de clarividência, adivinhou que uma sindicância contra Deltan Dallagnol se transformaria em processo e o cassou. Já o STJ entendeu que o modelo montado pela Lava-Jato foi antieconômico e condenou Dallagnol a ressarcir o Tesouro em 2,8 milhões de reais. Ao saber que o ex-deputado fez uma vaquinha para pagar a dívida, Gilmar, num insulto a milhões de evangélicos, disse que ele “pode abrir uma igreja” com a “espiritualidade do dinheiro”.

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Gilmar chegou há pouco de Lisboa, onde promoveu seu ciclo anual de debates, chamado carinhosamente pelos críticos de Gilmarpalooza. Trata-se de um encontro entre políticos, empresários, advogados e juízes de tribunais superiores — mas todo mundo acha normal. Um dos principais palestrantes era o inefável Arthur Lira.

Lira, aliás, teve recentemente uma boa notícia: uma investigação envolvendo seu nome foi suspensa por Gilmar. O inefável continua botando para quebrar no rit(m)o pá-­pum. O Orçamento Secreto II — A Revanche segue de vento em popa. A Câmara vai anistiar os partidos que descumpriram o repasse de recursos públicos a candidaturas de mulheres e negros — são deputados autossuficientes: eles criam a obrigação, eles mesmos a descumprem, eles mesmos se autoanistiam. Os autossuficientes aprovaram um projeto proibindo bancos de negar conta-corrente a político (a ideia era também tornar crime falar mal de político, mas não deu pé).

Nossos políticos e juízes, que se autocongratulam por terem salvado a democracia, deveriam se dar conta de que ela correu perigo, em grande medida, por causa da conduta disfuncional e nada republicana que eles mesmos vêm tendo há muitos anos.

Publicado em VEJA de 2 de agosto de 2023, edição nº 2852

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