Assine VEJA por R$2,00/semana
Imagem Blog

Ricardo Rangel

Continua após publicidade

Os traidores da pátria

Qualquer um que esteja no governo é cúmplice na destruição do país

Por Ricardo Rangel Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 out 2021, 11h19 - Publicado em 1 out 2021, 06h00

Jair Bolsonaro nunca escondeu quem era: um deputado rastaquera, que passou a vida a oscilar entre o extremismo e o desequilíbrio, e que se destacava somente por sua agressividade, vulgaridade e excentricidade.

Mas em 2018, por motivos diversos, milhões de pessoas, que em condições normais jamais votariam em Bolsonaro, o elegeram. Nessa temerária decisão, pesou o cálculo de que, na Presidência, Bolsonaro não conseguiria ser o que sempre foi: os adultos na sala o manteriam sob controle. O governo seria ruim, possivelmente muito ruim, mas não a devastação que é.

A linha de frente para manter Bolsonaro dentro do tolerável seriam os militares, vistos como sérios, profissionais, competentes, honestos. Mas Heleno, Ramos e Braga Netto jogaram a seriedade e o profissionalismo no lixo e aderiram com entusiasmo ao golpismo e ao desmonte do Estado. Pazuello e o almirante Bento demonstraram que farda não garante competência. E meia dúzia (ou dúzia inteira) de coronéis no Ministério da Saúde esclareceu que não é preciso ser civil para ser corrupto.

Em vez de proteger o país do desequilibrado, os garbosos oficiais se uniram ao desequilibrado para destruir o país. É irônico que os primeiros a trair a pátria tenham sido justamente os que se consideram mais patriotas do que os demais brasileiros — há aí uma moral para todos os militares.

“Jair Bolsonaro não criou o pesadelo que estamos vivendo sozinho. Ele teve e tem a ajuda de muita gente”

Continua após a publicidade

Outra linha de defesa seria Paulo Guedes. O ministro não entregou o programa liberal e a gestão sensata que prometeu, mas sua escandalosa incompetência é o menor de seus defeitos. Grave mesmo é que Guedes aceita e legitima todas as barbaridades de Bolsonaro, e deixou de ser ministro para ser caixa de campanha. É irônico que quem se pretenda liberal escolha por missão reeleger o presidente mais antiliberal de nossa história — há aí uma moral para todos que se dizem liberais.

Queiroga, o médico que prometia recolocar o trem nos trilhos após a hecatombe de Pazuello, se metamorfoseou em monstro: desacreditou a vacina, suspendeu a vacinação, comeu pizza na calçada, mostrou o dedo para os manifestantes, endossou a vergonha na ONU, pegou o vírus e se tornou vetor da Covid-19. É irônico que um médico se torne símbolo da doença — há aí uma moral para todos os médicos.

O diplomata Carlos França, que prometia corrigir o rumo depois da calamidade de Ernesto Araújo, frequentou comício golpista, fez arminha com as mãos, participou do vexame na ONU.

Os exemplos acima são os mais surpreendentes, mas, a essa altura, qualquer um que esteja no governo ou o apoie é cúmplice na destruição do país. É o caso de sabujos como Pedro Guimarães, Lorenzoni e Tarcísio de Freitas; oportunistas como Ciro Nogueira, Fábio Faria ou Rogério Marinho; obscurantistas como Milton Ribeiro e Damares; ou técnicos como Tereza Cristina e Bruno Bianco. É o caso dos que se abstêm de fiscalizar o presidente, como Arthur Lira e Augusto Aras, e dos que o livram da responsabilidade, como Temer. E de muitos outros.

Continua após a publicidade

Jair Bolsonaro não criou o pesadelo que estamos vivendo sozinho. Ele teve e tem a ajuda de muita gente, em Brasília e fora dela.

São todos traidores da pátria.

Publicado em VEJA de 6 de outubro de 2021, edição nº 2758

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.