Uma questão de capitalismo
A crise estrutural do setor aéreo não tem saída sem investimentos pesados, e o governo não tem dinheiro para tanto. Se Lula não houvesse satanizado as privatizações, é claro que este seria o caminho, uma solução que quase chegou a ser adotada no governo FHC, com o posterior recuo. Os militares também não viam a […]
Tem dinheiro para tudo isso? Não tem. A saída seria a divisão e a privatização da Infraero, com a criação de um órgão realmente regulador.
Aliás, estamos diante de uma excelente questão. A esquerdopatia dominante acha que empresas, quando nas mãos do Estado, prestam serviços melhores e resguardam os interesses nacionais. É mesmo, é? Respondam depressa: das agências reguladoras que temos, qual é a mais servil às empresas? Qual é a que menos cumpre a sua tarefa? Qual é a que menos zela pela qualidade do serviço? Qual é a que menos multas aplica? Qual é a mais rendida aos chamados “interesses de mercado”? Bidu! É a Anac — Agência Nacional de Aviação Civil . E justamente porque a operação das empresas é privada, mas o controle do setor, por meio da Infraero, é público. Não sei se entenderam: não é prudente juntar numa mesma sala muito dinheiro e burocrata muito poderoso.
Também nesse caso, quanto mais estado,mais injunções políticas , mais safadeza, mais corrupção. Vocês acham mesmo que, fosse privado, o aeroporto de Congonhas teria aberto uma pista sem que todas as obras de segurança tivessem sido realizadas? Já sabemos que a pista foi reaberta em razão da pressão das empresas. Ora, pressionar empresa pública é a coisa mais fácil do mundo no capitalismo cartorial brasileiro.
Anotem aí: são as empresas privadas que atendem aos interesses públicos; as empresas públicas existem para atender aos interesses privados.







