Uma fábula em Banânia
Tio Rei conta uma fábula pra vocês. Era uma vez um país chamado Banânia. Um belo dia, estoura um escândalo milionário envolvendo cartões corporativos. Coisa muito feia mesmo. Os batedores de carteira que estão no poder buscam desesperadamente uma forma de culpar as oposições, como sempre. Aí, um grupo do Partido dos Trapaceiros decide criar […]
Era uma vez um país chamado Banânia. Um belo dia, estoura um escândalo milionário envolvendo cartões corporativos. Coisa muito feia mesmo. Os batedores de carteira que estão no poder buscam desesperadamente uma forma de culpar as oposições, como sempre.
Aí, um grupo do Partido dos Trapaceiros decide criar uma espécie de dossiê fajuto contra a principal figura do Partido Adversário, dizendo que ele gasta mais com cartões e é ainda menos transparente. E passa as informações, com exclusividade, para o Jornal Imparcial.
O Jornal Imparcial sente o cheiro da tramóia e decide amalocar o material. Foi, claro, um erro. Poderia ter feito com ele jornalismo de primeira — ou seja: demonstrar que se tratava de uma peça publicitária destinada a inverter o ônus moral da lambança dos cartões. Seja por simpatia àquele que era o alvo do falso dossiê, seja por falta de agilidade mental, seja por uma soma das duas coisas, não fez nada. E, como sempre nesses casos, acabou numa cilada. Banânia tem, como se sabe, alguns jornalistas banânios.
Ora, o autor do dossiê mixuruca, inconformado com o fato de que sua “denúncia” não prosperara, passa, então, aquelas mesmas informações para um anão banânio que presta serviços remunerados ao Partido dos Trapaceiros. E este, vejam só, começa a fazer uma espécie de chantagem com o Jornal Imparcial de Banânia.
Desafia: “E aí, Jornal Imparcial? Não vai publicar o que tem contra o Partido Adversário? Vai ou não vai? Vai continuar a esconder o material?”
Vejam só: o Jornal Imparcial poderia ter feito uma de duas coisas, ma fez uma terceira:
A – poderia ter comprado, de cara, a versão dos bandidos (como acabou fazendo depois);
B – poderia ter denunciado a versão dos bandidos — que era a coisa certa;
Mas preferiu uma terceira: transformou o dossiê do Partido dos Trapaceiros em almofada, sentando em cima. E, assim, expôs-se a uma forma de achaque moral.
Acuado por um erro de cálculo, patrulhado pelo bandido, o Jornal Imparcial, então, publica o dossiê fajuto que amalocara antes, optando por ser ainda mais duro do que o próprio batedor de carteira.
Um Blogueiro Sem Nenhuma Importância diz, então, que o Jornal Imparcial se deixou pautar pelo anão banânio. Aí um representante do JI diz que o Blogueiro Sem Nenhuma Importância emite o som dos corvos, dos abutres. E ainda o acusa de servilismo àquele que era o alvo do Partido dos Trapaceiros.
Servilismo? Mas o Blogueiro Sem Nenhuma Importância não amalocou material nenhum. Nem contra nem a favor quem quer que seja. Se uma fábula fosse contada também a seu respeito, poder-se-ia dizer que compareceu ao debate para chamar os bandidos de bandidos; os inocentes, de inocentes; e os trapalhões, de trapalhões.





