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Sobre erros, acertos e afetos

Sugeri ontem, num post, que os leitores redijam comentários no Word porque é o que se pode fazer de mais simples e rápido para evitar alguns erros no blog. Mas é evidente que ele não ensina ninguém a escrever bem. Espero que as pessoas leiam bastante, que estudem, sempre atentas às regras da língua. Mesmo […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 19h18 - Publicado em 28 jun 2008, 19h12
Sugeri ontem, num post, que os leitores redijam comentários no Word porque é o que se pode fazer de mais simples e rápido para evitar alguns erros no blog. Mas é evidente que ele não ensina ninguém a escrever bem. Espero que as pessoas leiam bastante, que estudem, sempre atentas às regras da língua. Mesmo a escrita informal tem certas balizas. No blog, por exemplo, escrevo num estilo mais descontraído do que nos meus artigos na VEJA. A razão é simples: a revista, felizmente, tem um Manual de Redação, que deve ser respeitado. Aqui, posso experimentar mais porque a bagunça, digamos assim, é só minha. Imaginem se, na revista, cada jornalista decidisse fazer a sua própria revolução estilística… Em vez de milhões de leitores, teria meia-dúzia. Mesmo sendo aqui mais abusado, no entanto, há certas transgressões que não posso e não devo cometer — a não ser que esteja fazendo uma ironia, uma brincadeira, uma piada.

Alguns leitores ficaram bravos comigo. Injustamente, acho eu. Pouco me importa o auxílio a que cada um vai recorrer. O importante é errar menos. Entendo que alguns tenham ficado amuados: as pessoas tendem a achar que mensagens em blogs são expressões de sua subjetividade, quase de sua intimidade — até porque podem se manter anônimas ou inventar um pseudônimo (que não é diferente do anonimato). Curiosamente, ao não se revelar, são, muitas vezes, mais verdadeiras. Se você aponta um erro, muitos registram o episódio como rejeição pessoal.

Ora, não estou reprimindo a individualidade de ninguém. Eventualmente, estou apenas dizendo: “Olhe, ‘exceção’ não se escreve com dois esses”. A maioria entendeu muito bem o que eu quis dizer. Até porque boa parte dos comentaristas já deve recorrer a alguma ferramenta — ao menos espero que assim seja. Outros tantos procuram evitá-las, mas escrevem com correção.

Aí um tonto, agressivo, me escreve: “Até parece que você não erra”. É claro que erro. E SABEM QUEM ME CORRIGE? OS LEITORES. Eu, na verdade, conto com isso. Quando transgrido involuntariamente alguma regra, tenho milhares de leitores para me advertir. Vou lá e faço a correção. Quando os internautas erram, não tenho o que fazer — porque é impossível alterar comentários. Ainda que fosse, não haveria tempo. Por isso fiz um alerta.

Aí me diz um: “Por que você não estimula o leitor a consultar o dicionário?” Ora, tenha paciência, né!? Os meus amigos sabem que uma das estantes aqui de casa, e das grandes, é reservada a dicionários. Poucas pessoas terão tantos em casa. Devoto-lhes grande apreço. Poucos romances, nos últimos, sei lá, 50 anos são mais interessantes do que qualquer dicionário. Será que Tio Rei não é do tipo que estimula leitura e pesquisa? Vivo dando dicas de livros. Vivo tratando aqui de questões gramaticais. Mas não sou — nem quero ser — orientador de ninguém. Cada um sabe de si. Como o blog é nosso — é de vocês, mas é meu também —, sugeri, como sócio, uma maneira rápida de reduzir drasticamente os erros. Só isso. Quanto menos errarmos aqui, menos erros propagaremos mundo afora. “A linguagem é um vírus”.

Sinceramente, não entendi por que alguns ficaram bravos. Eu posso suportar — e suporto bem — que os leitores me corrijam. Será que alguns leitores não podem suportar uma sugestão para que errem menos? Ah, podem. Ou estarão estabelecendo um compromisso com erro, não com o acerto. Agradeço quando alguém me diz: “Há uma vírgula a mais ali; você trocou a letra não sei onde; olhe a concordância…” Escrevo muito rápido e muito. Às vezes, penso uma coisa, sai outra. Ocorre de relermos um texto em busca de erros e não os enxergarmos, embora evidentes a outros. E o motivo é simples: o nosso cérebro tende a ler a nossa intenção, não a realização.

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Sei que alguns me acham arrogante. Acho falso, mas não tenho o que fazer. Quem me conhece bem constata que tenho a humildade necessária de saber o que não sei e de ser aluno aplicado caso decida saber. Angustia-me que haja tanto a aprender. Mas não me quedo paralisado. Digo: “Vá lá, Reinaldão, hora do aprendizado”. E respeito competências.

É evidente que não quis e não quero intimidar ninguém. Tampouco vou ficar apontando os erros deste ou daquele. É claro que uma opinião com um erro de ortografia ou de digitação vale tanto quanto uma outra redigida em português impecável. Mais ainda: pode-se dizer uma bobagem monumental obedecendo a todas as regras da língua. Tudo isso é verdade. Mas nada disso nega o fato de que podemos todos nos esforçar para escrever com o menor número possível de erros. Ao fazê-lo, estaremos propagando acertos. Acho isso bom.

Que vocês sejam livres para colaborar com o blog, como sempre foram. E que continuem a me corrigir quando eu errar. É um favor que me fazem.

Distribuindo “abraços e carinhos e beijinhos sem ter fim”, despede-se o

Tio Rei.

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