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Renan, VEJA e o ventilador

Leia o que vai no Estadão On Line. Volto em seguida: O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou mais uma vez se defender no Senado nesta terça-feira, 7, e bateu boca com o líder do DEM no Senado, José Agripino (DEM). Agripino pediu que Renan deixasse a presidência da Casa e reiterou que o […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 22h16 - Publicado em 7 ago 2007, 20h32
Leia o que vai no Estadão On Line. Volto em seguida:

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou mais uma vez se defender no Senado nesta terça-feira, 7, e bateu boca com o líder do DEM no Senado, José Agripino (DEM). Agripino pediu que Renan deixasse a presidência da Casa e reiterou que o partido articula um processo de obstrução a votações em sessões presididas pelo senador.

Em resposta, Renan citou “concessões e financiamentos estatais” que Agripino teria: “Se sofresse a pressão que sofro por duas semanas, não agüentaria. O líder do DEM interrompeu o presidente do Senado cobrando esclarecimentos sobre as acusações: “Débitos? Que débitos? Vossa Excelência tem obrigação de dizer”.

Renan respondeu: “O que falei é que estou submetido a devassa e que poucos teriam a condição de abrir declaração de renda como fiz. Mas que se Vossa Excelência estivesse na minha situação não o prejulgaria”. Agripino pediu novamente explicações: “Meus negócios são todos legítimos. Se tem alguma acusação contra mim, deixe claro”.

“Nada tenho a temer, nada tenho a esconder”, disse o senador em sua defesa. E não poupou acusações à revista Veja. No início de seu discurso, afirmou que há dois meses vem sendo vítima de um “impiedoso ataque que já se transformou em campanha”. O senador diz que vive um calvário e é agredido “diariamente” em uma briga política paroquial. Como exemplo, Renan citou a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) e João Lyra (PTB).

Renan responde a processo por quebra de decoro sob a acusação de ter despesas pessoais pagas por um lobista. A abertura de inquérito sobre o caso foi autorizada pelo STF na última segunda-feira com base no pedido do procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza. Nomesmo dia, Lewandovski foi designado relator da investigação no Supremo.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) juntou-se a Agripino ao pedir a saída temporária de Renan. “Você daria um belo gesto de presente à nação se prosseguisse no seu direito legítimo de fazer sua defesa como senador, provisoriamente, substituído por direito, num processo que, se Deus quiser, haverá de correr celeremente.”

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Quem saiu em defesa de Renan foi o senador Almeida Lima (PMDB-SE), um dos relatores do processo contra o senador no Conselho de Ética. Lima condenou a revista Veja e disse que outros veículos de comunicação têm demonstrado “má vontade” com Renan. Segundo o relator, o pedido do presidente do Senado para ser investigado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando, não ganhou destaque devido na mídia. “Vossa Excelência deu uma demonstração de que nada tinha a esconder”, afirmou.

Sobra a nova denúncia de que Renan teria usado “laranjas” para comprar emissoras de rádio, Lima disse que leu a reportagem e as acusações são “vazias”: “Eu quero concluir, dizendo que, essa não é uma denúncia grave. A grave é aquela que vem embasada em provas, essa é vazia, pois apresenta em sentido contrário”.

A senadora petista Ideli Salvatti, que chegou a defender Renan anteriormente, disse que sobre o caso não pode pairar dúvidas e que “as investigações têm que acontecer até as últimas conseqüências , sejam os resultados quais forem”. Ideli, no entanto, ponderou sobre a saída de Renan do cargo: “É claro que é legítimo ao Agripino e Virgílio pedir que você se afaste da presidência, agora, o afastamento ou não, é único e exclusivo do seu desejo”.

Ideli comparou o processo de Renan ao de Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, no caso Mônica Lewinski. “A legislação americana não obriga a sair do cargo. Ele ficou no cargo todo o caso e foi absolvido no final”, afirmou. O senador Jose Nery (PSOL-PA) disse que a suspeita de Renan ter despesas pessoais pagas por um lobista trata-se de um “fato grave”. Disse que o processo no conselho é uma investigação e não “condenação antecipada”.

VolteiEssa é a linguagem que Renan entende e, a rigor, foi a que o fez chegar tão longe na política — em qualquer governo, diga-se. O topo, mesmo, no entanto, ele só encontrou na gestão Lula.

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Observem que o método é sempre o mesmo:
– Agripino Maia pede o seu afastamento da Presidência? Ele lança dúvidas sobre a lisura dos negócios do senador. Instado a dizer quais são, ele declina, deixando no ar a suspeita;
– Ele considera que a revista VEJA é a responsável por seus infortúnios? Lança dúvidas sobre as negociações da Abril para vender a TVA à Telefonica. Convidado a dizer quais são essas irregularidades, ele também declina, sugerindo que sabe mais do que diz. E não sabe porque não há nada mais a saber.

É o modus operandi de alguém que faz da chantagem a moeda de troca da política — no caso, chantagem sem lastro. Ora, desde logo, perguntam-se duas coisas:
1 – Se Renan sabe algo contra Agripino, por que não disse antes?
Resposta – Porque a suposta informação sempre lhe poderia ser útil.
2 – Se sabe algo contra a Editora Abril, por que não disse antes?
Resposta – Porque sempre poderia negociar a suposta informação.

No caso de Agripino, o desassombro do senador parece indicar que ele não tem motivos para ter medo de Renan. No caso da Abril, é evidente que Renan tenta criminalizar um negócio legal. E o faz porque, claro, a VEJA não fez e não fará as suas vontades. Trata-se da velha tática de jogar meleca no ventilador para ver se todo mundo sai com o terno borrado.

Com efeito, ele tem motivos para estar bravo com a VEJA. De fato, ao fazer só jornalismo, bateu de frente com Renan Calheiros.

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