Pelo menos um macho para afrontar Ahmadinejad. E é gay
No título acima, exploro, evidentemente, o clichê que consiste em associar a coragem à macheza. É claro que se trata de uma bobagem. Sei que não é coragem que faz a fêmea da maioria das espécies proteger a cria com a própria vida se preciso. A sobrevivência da espécie explica o ato. Entre os humanos, […]
No título acima, exploro, evidentemente, o clichê que consiste em associar a coragem à macheza. É claro que se trata de uma bobagem. Sei que não é coragem que faz a fêmea da maioria das espécies proteger a cria com a própria vida se preciso. A sobrevivência da espécie explica o ato. Entre os humanos, a maioria das mães também daria a vida por seu filho — e, aí, já é coragem, sim. Logo, esta não é um atributo masculino; tampouco está relacionada à condição sexual de cada um.
Estou, claro, fazendo um gracejo e uma homenagem ao rapaz que entrou na entrevista coletiva de Mahmoud Ahmadinejad carregando a bandeira gay. Foi posto pra fora pela Polícia Federal. Mais gente deveria tê-lo imitado, levando outras tantas bandeiras — de todos os que são perseguidos por aquela ditadura teocrática disfarçada de governo popular, onde as divergências são tratadas a bala.
Na entrevista concedida a William Waack, Ahmadinejad disse que o homossexualismo é contra a natureza e ameaça a humanidade. É mesmo? Ninguém se torna homossexual porque quer ou porque foi “contaminado por uma doença”. A porcentagem de pessoas com essa característica deve ser a mesma desde que o homem está na terra. Todos sabem que sou contra o tal projeto que criminaliza a dita “homofobia”, por exemplo. Considero que se trata de uma bobagem patrulheira que mais reforça a discriminação do que serve para aplacá-la. E é preciso dizer: os homossexuais não são nem nunca foram ameaça a coisa nenhuma!
O que ameaça a humanidade é a corrida nuclear; o que ameaça a humanidade é a intolerância; o que ameaça a humanidade é o desejo declarado de destruir um país; o que ameaça a humanidade é negar o horror do Holocausto; o que ameaça a humanidade é o não-reconhecimento dos direitos fundamentais de um indivíduo; o que ameaça a humanidade são as sociedades que rejeitam o habeas-corpus…
É por isso que afirmo, no uso-clichê que faço da linguagem da linguagem, que houve alguém “macho” o bastante para deixar isso claro a Ahmadinejad. Um macho gay.
Está de parabéns!







