Oferta Relâmpago: Veja por 7,99
Imagem Blog

Reinaldo Azevedo

Por Blog Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

OS NÚMEROS DO DATAFOLHA

Os petistas certamente se esforçarão para ver um avanço formidável na candidatura de Dilma Rousseff à Presidência com os números publicados hoje pelo Datafolha — ver abaixo. E o mote será este: em março, a diferença entre a ministra e o tucano José Serra era de 30 pontos. Agora, de 22. Ascensão fulminante? Não exatamente, […]

Por Reinaldo Azevedo 31 Maio 2009, 08h49 | Atualizado em 31 jul 2020, 17h32
OS NÚMEROS DO DATAFOLHA Priorizar nos meus resultados Google

Os petistas certamente se esforçarão para ver um avanço formidável na candidatura de Dilma Rousseff à Presidência com os números publicados hoje pelo Datafolha — ver abaixo. E o mote será este: em março, a diferença entre a ministra e o tucano José Serra era de 30 pontos. Agora, de 22. Ascensão fulminante? Não exatamente, não é? Pode-se olhar a questão por um ângulo mais realista: mesmo com uma impressionante exposição naquilo que os petistas chamam “mídia”, a candidata ainda está com 16%.

 

Que se note: o Datafolha fez um corte interessante: entre os que sabem da doença de Dilma, quantos votam nela? 22% — acima de sua média nacional, que é de 16%. Vale dizer: o governo levou o câncer para o palanque, como é notório, e houve uma resposta eleitoral positiva. Mas que está um tanto longe daqueles outros 22% alardeados pela pesquisa do PT. Ela pode chegar a esse número com tranqüilidade? Claro que sim. Qualquer índice inferior a um terço do eleitorado será sempre pouco para um petista. É esse o peso do partido na sociedade. E um terço também vota contra o PT nem que ele escolha um anjo — impossível, né? — para representá-lo. O segredo sempre está em ganhar o outro terço.

 

Que Dilma esteja em ascensão, não resta dúvida. Não poderia ser diferente. Mas que é pesada, isso também é evidente. Outra (o) que tivesse, de fato, “mais coração” (para ficar na linguagem emocional abraçada pelo partido) e contasse com o apoio escancarado de Lula, que já está em campanha, talvez estivesse mais à frente. Mas isso importa pouco agora: o fato é que candidatura se move.

 

E nas oposições? Serra oscilou três pontos para baixo — e os aecistas poderiam ver nisso uma espécie de cumprimento da profecia. Mas Aécio também caiu três pontos. Nada disso quer dizer muita coisa se o PSDB acordar. Em tempo: a pré-candidatura do governador de Minas insiste em não decolar. Ele foi para o quarto lugar quando é apresentado como o candidato tucano.

Continua após a publicidade

 

E o futuro?

Bem, quase todo o PT e o Planalto estão mobilizados em defesa da candidatura Dilma Rousseff, que conta, por força do cargo — e da doença —, com ampla cobertura da tal “mídia”.  Ela é ainda raquítica eleitoralmente, mas tem o apoio de Lula, o que faz uma brutal diferença. E Lula, como se sabe, não tem pudor e faz mesmo comício em obra pública. E as oposições? Bem, mais uma vez — e isso já aconteceu em 2005 —, aquele que desponta como franco favorito, Serra, não é tratado como tal no partido porque isso melindraria o outro pretendente… De certo modo, o que impressiona é o governador de São Paulo manter-se na faixa dos 40% ou quase (a depender do cenário): aparece pouco na “mídia” nacional e evita tocar no assunto “eleições” em aparições públicas.

Continua após a publicidade

 

A campanha já começou, como Lula e Dilma bem sabem, mas os tucanos são obrigados a cuidar das suas diferenças internas. Ainda que o resultado do Datafolha não indique uma ascensão espetacular de Dilma, o fato é que ele traduz a habilidade do governo em fazer propaganda eleitoral e a habilidade de seus adversários em dar tiro no pé. Lembram-se do “agora é Lula” de 2002? Pois é… Partido que tem um pré-candidato com os índices do governador de São Paulo deveria estar falando algo como “Agora é Serra”. Mas não vai dizer tão cedo.

 

Fiquemos atentos. Os trechos abaixo são de um artigo que escrevi no Globo no dia 3 de dezembro de 2005!!! Vejam como a história corre o risco de se repetir.

Continua após a publicidade

 

Enigmas do PSDB

O PSDB deve ser o único partido no mundo em que um candidato favorito não é favorecido pelo favoritismo — se me permitem a lambança tautológica. Para alguns, é como se a preferência do eleitorado fosse um prejuízo, um peso de que querem se proteger. Parece que os ouço: “Não, este não. Está na frente nas pesquisas. Não pode!”

 

É mais ou menos o que se verifica com o nome de José Serra — até agora o único a vencer Lula num eventual segundo turno. Pode mudar? Pode. Mas é assim enquanto escrevo. Satisfação nas hostes tucanas? Há os que se mostram inquietos. O argumento maroto é o de que pesquisas refletem a realidade do momento. Sei. Futuro certo é só com a Mãe Dinah. Também acho que favoritismo não é critério absoluto: depois de Lula, é recomendável aporte intelectual. Pergunta: caso Serra deixe de ser o mais bem colocado, suas chances aumentam?

 

Usa-se como argumento contra as pesquisas a candidatura de FHC em 1994, que largou atrás. Teria deslanchado depois de conhecido. Lorota. Era o homem do Real: havia domado a inflação. O trunfo lhe valeu duas eleições. É história. Os tucanos precisam é de projeto e de voto. Ainda não têm o primeiro, mas alguns se apressam em dar de ombros para o segundo. Os petistas devem acompanhar cheios de esperança esse jeito Toninho Cerezo de trocar passes no campo defensivo.

 

Compreendo que o governador Aécio Neves (MG) não queira que a disputa implique a nacionalização de uma disputa paulista. Mas não deve dar espaço para que sua fala se confunda com um veto de endereço certo. Mesmo que não queira, dado o quadro, pode estar colaborando objetivamente para a reeleição de Lula. O governador Geraldo Alckmin (SP), por sua vez, diz que prefere mirar o futuro a atacar o presidente, o passado. Anunciou que não vai criticá-lo se for para a disputa. O problema do petismo está longe de ser apenas ético. A corrosão do caráter é só uma das faces de um esforço para desconstituir a democracia. E há, claro, a economia. Para onde vamos? A crítica é um imperativo da política.

 

Serra, por seu turno, tem de abandonar a ambigüidade. É pré-candidato ou não? É. Por vontade sua, claro, mas também de quem se mostra disposto a votar nele. Candidaturas são construções políticas. Espero que seja ele? Espero é que seja um método!

(…)

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Premium

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).