Os católicos e os reality shows
Basta ver algumas TVs mundo afora — e não é mais preciso viajar para isso — para perceber que a Globo é quase um milagre: tem uma qualidade técnica exemplar, o que forçou as concorrentes a melhorar a sua, e uma programação, no geral, pouco apelativa, o que não a impede de descambar às vezes. […]
Basta ver algumas TVs mundo afora — e não é mais preciso viajar para isso — para perceber que a Globo é quase um milagre: tem uma qualidade técnica exemplar, o que forçou as concorrentes a melhorar a sua, e uma programação, no geral, pouco apelativa, o que não a impede de descambar às vezes. A média, para uma TV aberta, é boa. Ontem, a CNBB divulgou uma nota criticando os reality shows (íntegra aqui).
Segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, eles “atentam contra a dignidade de pessoa humana, tanto de seus participantes, fascinados por um prêmio em dinheiro ou por fugaz celebridade, quanto do público receptor que é a família brasileira.” Os bispos lamentam que esses programas tenham “o lucro como seu principal objetivo”. Essa é a única restrição que faço à nota. Ainda que esses programas tivessem “o prejuízo como principal objetivo”, não seriam melhores.
Na nota, a CNBB reconhece “o papel desempenhado pela TV em nosso País e os importantes serviços por ela prestados à Sociedade”. A entidade observa que “muitos programas têm sido objeto de reconhecimento explícito por parte da Igreja com a concessão do Prêmio Clara de Assis para a Televisão, atribuído anualmente.” Acertadamente, dirige-se aos país: “Aos pais, mães e educadores, atentos a sua responsabilidade na formação moral dos filhos e alunos, sugerimos que busquem através do diálogo formar neles o senso crítico indispensável e capaz de protegê-los contra essa exploração abusiva e imoral.” Mas também apela o Ministério Público, a quem caberia lembrar que a radiodifusão é uma concessão, e aos anunciantes, que não deveriam associar seus produtos a comportamentos inaceitáveis.
Pois bem: a CNBB é um entidade religiosa. Suas considerações e orientações, ainda que busquem falar ao conjunto da sociedade, dirigem-se especialmente aos católicos. Todos sabem disso. A TV Globo e a TV Record emitiram notas em resposta à CNBB. A da Record agride apenas a língua portuguesa. A da Globo preza a língua, mas agride o bom senso. No próximo post.







