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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

O Zé Trindade do Planalto

Zé Trindade e Consuelo Leandro no filme Mulheres à Vista As 23h41 de quinta-feira, antes de Lula se referir ao Ponto G, escrevi no blog o que segue em azul: Petistas estão bravos porque manguei da expressão “massa encefálica dentro do cérebro”, mais uma contribuição do Apedeuta à inculta e bela. Acham que é preconceito. […]

Por Reinaldo Azevedo 10 mar 2007, 05h41 | Atualizado em 31 jul 2020, 22h37

01mulheresavista-bmpZé Trindade e Consuelo Leandro no filme Mulheres à Vista

As 23h41 de quinta-feira, antes de Lula se referir ao Ponto G, escrevi no blog o que segue em azul:
Petistas estão bravos porque manguei da expressão “massa encefálica dentro do cérebro”, mais uma contribuição do Apedeuta à inculta e bela. Acham que é preconceito. Não é. Se Lula é ignorante, é um bom motivo para não ser presidente da República. Mas sei que a maioria dos eleitores brasileiros pensou o contrário duas vezes. Ok. Nunca tentei cassar o direito de voto dessa brava gente. Vai ver somos assim por isso…A questão relevante é outra. Quando Lula se mete a falar difícil, nada mais faz do que vocalizar o discurso que é influente à sua volta. Vive cercado daqueles intelectuais meia-bomba do PT. É um homem inteligente, mas sabidamente preguiçoso. Aprende de tudo um pouco, o suficiente para se virar, mas nada tanto assim… Não vou aqui exibir as minhas credenciais de “povo” porque tenho horror à demagogia. Mas sei que o dito-cujo não sai por aí falando sobre “massa encefálica” ou “necessidades orgânicas do ser humano”. Isso é manifestação de jactância ignorante. É irrelevante?Não é. Lula governa o país usando esse mesmo método. Vai sendo emprenhado pelo ouvido. Fala com muita gente. De cada um, recolhe um retalho, um rebotalho, e assim vai compondo o seu discurso. Dos ditos “conservadores”, um pouquinho de seus “fundamentos macroeconômicos”; das esquerdas, um pedacinho de suas utopias distributivistas; do sindicalismo, a esperteza macunaímica. Tudo isso vai-se amalgamando naquela “massa encefálica do cérebro”. Direção? Nenhuma.Ah, sim… Existe uma boa chance, de que tratarei em outro post, de que tenha sido salvo da mediocridade pelo “satã” George W. Bush. Como paga, o PT promoveu a arruaça desta quinta. Não, não fiz pilhéria da tontice lulesca. Eu a considero, na verdade, sintoma de um grave mal.

É evidente que ninguém corre risco apostando que Lula vai falar alguma batatada, mas existe certo decoro até para a besteira, convenham comigo. Ao se referir ao Ponto G, o homem chegou a gesticular. Sorriu com expressão marota. Sabia estar sendo inconveniente, impróprio, indecoroso — refiro-me, vejam só, ao decoro do cargo. George W. Bush esboçou um sorriso. Os americanos ficaram sérios. A brasileirada riu de seu presidente picaresco. Uma TV dos EUA que fazia tradução simultânea preferiu poupar os telespectadores e preservar Lula de si mesmo: ignorou a referência. Sabem como são os americanos… Fizeram aquele paiseco porque são idiotas e puritanos. Tivessem a nossa picardia e o nosso veneno, seriam felizes como nós. Viveriam o nosso clima de chanchada.
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A bobagem entra para a já gigantesca lista dos lulismos. Eu mesmo, num post abaixo, dei tratamento um tanto galhofeiro à coisa. Mas é evidente que tem seu lado melancólico. Mais do que Lula, é o Brasil que tem uma sorte imensa. Coube-lhe ser governado pelo Apedeuta num período raro de estabilidade da economia mundial — único, já se cansou de dizer, no pós-guerra. Por mais que o PT e seu chefão tentem atrapalhar, as coisas insistem em se conservar ao menos no nível da mediocridade. É claro que Lula não é irrelevante. Mas não consegue ser tão nefasto quanto poderia ou sugerem as suas palavras.

Escrevi certa feita que o Apedeuta lembra a lendária figura de Zé Trindade (1915-1990), comediante baiano que fez sucesso no período de ouro das chanchadas. Se tingir os cabelos — afinal, suas cãs são mesmo inúteis — e raspar a barba, fica igualzinho. Era do tipo baixote, folgazão, preguiçoso, que sempre se dava bem na base do truque. E tinha dois bordões: “Meu negócio é mulher” (que ele pronunciava “mulhé”) e “Com licença da má palavra”.

Ao menos pedia licença. Zé Trindade para a Presidência!

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