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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

O “rei” Roberto Carlos cai fora do “Procure Saber” e deixa na chuva os “plebeus” Caetano, Chico e outros súditos

Em seu artigo no Globo na semana passada, Caetano Veloso já deixava claro que as coisas haviam se complicado no tal “Procure Saber”. Transcrevo trecho: “E RC [Roberto Carlos] só apareceu agora, quando da mudança de tom. Apanhamos muito da mídia e das redes, ele vem de Rei. É o normal da nossa vida. Chico […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 05h02 - Publicado em 6 nov 2013, 04h29

Em seu artigo no Globo na semana passada, Caetano Veloso já deixava claro que as coisas haviam se complicado no tal “Procure Saber”. Transcrevo trecho: “E RC [Roberto Carlos] só apareceu agora, quando da mudança de tom. Apanhamos muito da mídia e das redes, ele vem de Rei. É o normal da nossa vida. Chico era o mais próximo da posição dele; eu, o mais distante. De minha parte, apesar de toda a tensão, continuo achando que estamos progredindo. Assunto global quente, o Brasil não pode tratar tolamente.”

Às vezes, até Caetano Veloso pode estar certo, ainda que, no caso, dentro do erro. Roberto Carlos concedeu uma entrevista ao Fantástico em que afirmou ser contrário à licença prévia para as biografias, o que ia de encontro à posição defendida com tanta ênfase pelo Procure Saber, de que Paula Lavigne é comandante e porta-voz. Convenham: ela não deve ter tirado aquilo tudo da cachola. A entrevista do “Rei”, na verdade, era um troço confuso, nem lá nem cá. Indagado se liberaria a biografia que pediu que fosse recolhida, disse um “vamos conversar”. Ou seja: não! Num vídeo ainda mais atrapalhado, ele, Erasmo Carlos e Gilberto Gil engrolam incongruências. Dizem-se contra a censura, mas falam de um certo direito à privacidade que pode, dado o texto, resultar em… censura.

No fim das contas, Roberto Carlos concluiu que a notoriedade que Paula Lavigne acabou dando à causa foi contraproducente. O “rei” conta com um esquadrão de advogados — incluindo o notório Kakay, estrela coruscante do processo do mensalão. Talvez, com efeito, tudo tivesse andado melhor para ele sem debate público. Nesse sentido, já escrevi aqui, Paula prestou um serviço involuntário à causa da liberdade de expressão.

Muito bem! Embora seja o dono da posição mais reacionária, embora seja, vamos dizer, o cérebro que organiza o movimento em favor da censura, Roberto decidiu romper publicamente com o Procure Saber. Seu empresário emitiu uma nota não muito elegante, segundo a qual a, digamos, notoriedade obtida pelo “Procure Saber” é incompatível com a majestade discreta de Roberto Carlos. O texto de Caetano deixa claro que ele se sentiu o boi de piranha na história.

Leiam texto da VEJA.com, a que se segue a nota do empresário de Roberto Carlos.

*
As divisões internas do grupo Procure Saber, evidenciadas no fim de semana passado após críticas feitas por Caetano Veloso à postura de Roberto Carlos no debate das biografias não autorizadas, causaram a primeira baixa na associação de artistas. Por meio de um comunicado de seu empresário, Dody Sirena, Roberto rompeu com os outros membros do Procure Saber na noite desta terça-feira. “A partir de agora, fiquem à vontade com o andamento do Procure Saber sem a presença direta do Roberto”, diz o texto.

O comunicado deixa claro que os advogados contratados por Roberto — e que vinham prestando assistência jurídica ao Procure Saber; entre eles Antonio Carlos Almeida, o Kakay — falarão a partir de agora apenas em nome do cantor. No centro do racha do grupo, formado também por Chico Buarque, Gilberto Gil, Djavan, Milton Nascimento e Erasmo Carlos, estão as declarações feitas por representantes do Procure Saber sobre o posicionamento dos artistas.

Segundo interlocutores, Roberto Carlos não gostou de como a empresária Paula Lavigne, presidente da associação, expôs as opiniões do grupo nas últimas semanas. No entendimento do cantor e de seus advogados, a ex-mulher de Caetano Veloso prejudicou o Procure Saber ao iniciar o debate declarando que as biografias só deviam ser comercializadas com autorização do biografado ou de sua família, e mediante compensação financeira, bem como da maneira “truculenta” como ela teria se portado nas discussões.

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No final de semana passado, Caetano Veloso criticou Roberto em sua coluna dominical no jornal O Globo. Para o compositor baiano, o cantor só se expôs publicamente após ele, Chico Buarque e Gilberto Gil terem “apanhado muito” ao defenderem a autorização prévia das biografias e o Procure Saber mudar de postura – coisa que o próprio Roberto Carlos anunciou em entrevista ao Fantástico. Ao programa da Globo, ele declarou ser a favor das publicações sem autorização prévia – desde que com “ajustes” e “conversa” entre biógrafo e biografado. “RC só apareceu agora, quando da mudança de tom. Apanhamos muito da mídia e das redes, ele vem de Rei”, escreveu Caetano.

Leia a seguir a íntegra do comunicado em que empresário de Roberto Carlos anuncia o rompimento do cantor com o Procure Saber:
“Caros amigos do Procure Saber,
Este ano ainda não encerrou e vejo quantos movimentos interessantes aconteceram para os artistas brasileiros. Demos um grande passo com o Ecad e trouxemos à tona o tema biografias/privacidade. Falamos sobre direitos e, como administradores/empresários dos maiores nomes da música brasileira, sabemos que no futuro tudo isso será uma grande referência de um movimento coletivo, como outros que estes ícones já participaram. Interessante lembrar que a tropicália e as guitarras andaram em calçadas diferentes, que a imprensa anunciava que a MPB não gostava da Jovem Guarda, e com o tempo todos se uniram no mesmo pensamento.

Caminhamos bastante, divergimos algumas vezes, mas acredito que podemos nos ver como uma seleção de futebol onde os grandes craques se reúnem para defender o país e depois voltam para os seus times. Roberto conversou muito comigo em função dos últimos acontecimentos. Não é bem assim o nosso jeito de trabalhar, somos mais discretos, afinal defendemos também a privacidade no sentido profissional.

Concluímos que neste momento é importante continuar o trabalho que iniciamos há muitos anos sobre biografias, independente de estarmos em uma associação ou grupo. Portanto, a partir de agora, fiquem à vontade com o andamento do Procure Saber sem a presença direta do Roberto. O comitê criado na última reunião na Urca para atender as biografias continuará atuando de forma intensa apenas em nome do Roberto, já que Dr Marco Antonio Campos, Dr Antonio Carlos Almeida/Kakay, Dra Fernanda Gutheil e Dra Ana Paula Barcelos, são profissionais de sua equipe.

Gostaria de sugerir que o Procure Saber nomeie representantes para falar em nome do grupo quanto a liberação das biografias e em defesa da privacidade, principalmente no Congresso Nacional, em razão do pronunciamento coletivo e do comunicado oficial. Sempre que outros assuntos surgirem com tema coletivo, se Roberto entender que a pauta vai de encontro aos seus pensamentos, considerem sua adesão. Como exemplo, a pronta e efetiva participação dele no caso do autoral/Ecad e nos futuros desdobramentos com órgão regulador, como já discutimos em outras ocasiões, bem como as questões trabalhistas e a plataforma digital.

Foi muito importante termos participado deste grupo e desejamos boa sorte para os próximos passos.

Com respeito e admiração por cada um de vocês.”

Dody Sirena
DCSet Promoções”

 

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