O PT estará em mãos que o merecem
O segundo turno entre Ricardo Berozini e Jilmar Tatto, que disputam a presidência do PT, prova o caráter irredimível do partido. Aliás, nem sei por que eles não estão juntos, já que são uma coisa só. As diferenças devem ser pautadas apenas por questiúnculas internas. José Eduardo Cardozo, a opção “ética”, ficou fora da disputa. […]
O segundo turno entre Ricardo Berozini e Jilmar Tatto, que disputam a presidência do PT, prova o caráter irredimível do partido. Aliás, nem sei por que eles não estão juntos, já que são uma coisa só. As diferenças devem ser pautadas apenas por questiúnculas internas. José Eduardo Cardozo, a opção “ética”, ficou fora da disputa. Sabem o que eu penso, jamais escondi: só se é petista por falta de reflexão ou de pruridos éticos. Pode ser que Cardozo esteja no primeiro time. De toda sorte, tem uma aparência mais civilizada e tolerante do que os concorrentes. Mas até a aparência de civilidade começou a ser punida no PT.
Berzoini, o provável vitorioso, é quem? Aquele em cuja gestão — que se seguiu à de José Genoino, a do mensalão — se fabricou o dossiê fajuto contra José Serra. Até agora, não se sabe a origem daquele R$ 1,75 milhão (muita gente jura que, de fato, eram R$ 2 milhões, mas teria havido uma safadeza dentro outra, e R$ 250 mil teriam desaparecido….). O presidente do partido, evidentemente, não sabia de nada. Fora informado apenas de uma tentativa de conseguir informações sobre o candidato tucano… Bem, vocês sabem como é. Toda a, por assim dizer, “alta” inteligência do partido estava envolvida na operação.
Jilmar pertence a que já é uma “dinastia” política de São Paulo: os “Tatto”. A região que está sob a influência da família é conhecida na cidade por “tattolândia”. Os métodos a que recorre ficaram famosos na campanha eleitoral de 2004 à Prefeitura. O então candidato tucano, José Serra, foi cercado por militantes petista no bairro da Capela do Socorro. O líder dos tontons-macoutes gritava: “A Capela está sitiada, a Capela está sitiada”.
Reproduzo, a propósito, trecho de uma reportagem de Juliana Linhares, publicada na VEJA de 24 de junho do ano passado:
Sempre se soube que uma das principais fontes de renda do PCC, organização criminosa formada por presos e ex-presos das cadeias paulistas, era o mercado de lotações – ou de peruas, como são genericamente chamados os microônibus e as vans que circulam por São Paulo como uma alternativa ao transporte público coletivo. O PCC não só domina parte das linhas do sistema como também extorque cooperativas que, sem ligação com ele, operam no setor. Há três semanas, a polícia prendeu Luiz Carlos Efigênio Pacheco, presidente da Cooper Pam, uma das principais cooperativas de perueiros da capital paulista, suspeita de ligação com a organização criminosa. Conhecido como “Pandora”, o perueiro é acusado de ter financiado, com dinheiro de lotações, uma tentativa frustrada de resgate de preso de uma cadeia de Santo André (região do ABC paulista), em março passado.
Detido, ele negou pertencer ao crime organizado, mas admitiu a infiltração do PCC no setor perueiro e disse que foi por ordem de Jilmar Tatto, ex-secretário de Transportes da prefeita Marta Suplicy, que sua cooperativa incorporou integrantes da organização criminosa. As duas afirmações, graves, constam do depoimento que Pandora deu formalmente à polícia. Uma terceira informação, porém, ainda mais grave, ficou de fora do inquérito. Ela foi dada por Pandora ao delegado Marcelo Fortunato, que o prendeu. Segundo disse o presidente da Cooper Pam, o ex-secretário de Marta recebeu 500.000 reais para favorecer um grupo de perueiros ligados ao PCC no processo de licitação para a exploração da região sul da capital.
Para ler íntegra da reportagem, clique aqui
Qualquer que seja o resultado, o PT estará em mãos que o merecem.







