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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

O PROGRAMA DE LULA CONTRA O CRACK É UMA DROGA!

Lula lança hoje, durante a 13ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, um plano interministerial de combate ao crack. O dito-cujo é só mais uma carreira da droga em que este governo é viciado: marketing. E quem paga a conta é a o país. O lançamento do programa já vem atrelado à propaganda eleitoral […]

Por Reinaldo Azevedo 20 Maio 2010, 06h37 | Atualizado em 5 jun 2024, 14h50

Lula lança hoje, durante a 13ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, um plano interministerial de combate ao crack. O dito-cujo é só mais uma carreira da droga em que este governo é viciado: marketing. E quem paga a conta é a o país. O lançamento do programa já vem atrelado à propaganda eleitoral — ilegal — que a sua pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff, fez há dias na TV. O governo federal muito pouco fez nessa área — na verdade, foi omisso; mais do que omisso, chegou a ser cínico. E, agora, decide fazer do combate a este terrível mal um ativo eleitoral.  No post abaixo, sugiro um vídeo para ancorar a campanha. Adiante.

Há coisa de quatro anos, algumas entidades fizeram chegar ao governo federal um alerta: o crack havia se tornado um grave problema de saúde pública, que atingia especialmente a juventude, e a o governo não estava oferecendo as condições de tratamento aos usuários, previsto em legislação federal. Sabem qual foi a resposta? O crack seria um problema restrito ao centro velho da cidade de São Paulo. Eera mentira! O resultado é o que vemos agora: está em todos os cantos do país, mesmo em cidades minúsculas do interior. E já atravessou fronteiras de classe social, escolaridade etc.

A campanha de combate ao crack nasce na reta final do governo, em período eleitoral, comandado por um governo que tem idéias muito próprias — e ruins — sobre a origem da violência e do crime. Quando estava fora do poder, Lula sustentava que a guerra às drogas era uma “guerra de classes” (!!!). Já presidente da República, afirmou mais de uma vez que a origem da violência é social… Bem, vocês conhecem essa conversa mole. Chegou a dizer que preferia construir escolas a presídios (prometeu cinco federais; vai entregar dois). E o que se vê? Não há crescimento econômico ou programa de distribuição de renda que respondam ao desafio do combate às drogas. Polícia para quem precisa de polícia. Médico para quem precisa de médico. E escola para quem precisa de escola.

O governo ignorou o problema. Foi negligente. E resolveu se corrigir a sete meses do fim, na boca da urna, com uma agenda casada com a da candidata oficial! Lula sabe fazer tráfico de esperanças usando o voto como substância entorpecente. E há mais a dizer nessa área.

Se o governo federal foi omisso na questão específica — o alastramento do consumo de crack —, foi negligente, quando não irresponsável, no enfrentamento a algumas macroquestões ligadas às drogas. Há pelo menos duas escandalosas.

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Bolívia
Noventa por cento da cocaína, matéria-prima do crack, consumida do Brasil vem da Bolívia. No dia 15 de julho do ano passado, publiquei aqui o post
O BRASIL APÓIA EVO. E VEJAM COMO EVO RECOMPENSA O BRASIL em que transcrevia trecho de um texto do jornal HoyBolivia.com. Leiam:

O deputado nacional Mario Cronembold denunciou que o plano de “colonização” levado adiante pelo governo de Evo Morales, com o assentamento de 4 mil famílias no departamento de Pando, tem a finalidade de promover o cultivo em grande escala da folha de coca.
“O objetivo imediato do plano de colonização é eleitoral, buscando interferir nos resultados de 6 de dezembro. Mas o objetivo estratégico é criar um segundo Chapare no Norte da Bolívia, disse Cronembold.
O parlamentar comentou que “a migração promovida pelo governo desde 2007 para Pando já provocou a existência de cultivo de folhas de coca nesse departamento, especialmente na região vizinha a Esmeralda, como anunciaram os próprios dirigentes da Adepcoca [Adepcoca é a associação que reúne os produtores de folha de coca].
“Os próprios camponeses de Pando, que são parte da base do MAS [partido de Evo Morales], estão preocupados porque, entre os colonos, há uma grande quantidade de chaparenhos [pessoas oriundas de Chapare].
Mario Cronembold disse que “o departamento de Pando é um território geoestratégico para o narcotráfico porque faz fronteira com Peru e Brasil, tem terras férteis para o cultivo de coca e tem selva onde esconder as fábricas de cocaína.
“Agora entendemos por que tanta preocupação do governo em controlar esse departamento. É preciso alertar a tempo o país e a comunidade internacional de que se pretende criar outro bastião territorial para o narcotráfico”, observou o deputado.

Voltei
Até 2007, o cultivo de folha de coca em Pando era irrisório. Evo Morales, o “querido companheiro” de Lula, decidiu incentivá-lo na fronteira com o Brasil. Atenção: a folha que passou a ser cultivada ali é de um tipo que não serve para mascar. Ela é muito própria para fazer a pasta que resulta na cocaína. Não acreditem em mim. Acreditem nos partidários de Evo em Pando…

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Farc
A segunda questão escandalosa nessa área está ligada ao narcoterrorismo das Farc. Um dos líderes do grupo foi preso no Brasil fazendo o que sabe fazer: tráfico de drogas. Como bem lembrou o pensador Marco Aurélio Top Top Garcia, o Brasil é “neutro” sobre o caráter das Farc!!! Os dois casos evidenciam falta de compromisso com uma política mais ampla de combate às drogas — sem contar a nossa histórica ineficiência para vigiar fronteiras.

É claro que se faz necessária uma ação do governo federal no combate à praga do crack — na verdade, no combate ao consumo de drogas. O que se lamenta é que venha atrelada à questão eleitoral e atenda mais às pesquisas de opinião que orientam os marqueteiros do que ao reconhecimento de que o problema é efetivamente grave. Não faz tempo, numa obra do PAC, Lula afirmou que os bandidos adultos que estão por aí seriam decorrência da inação dos governos que o antecederam e que teriam se preocupado pouco com o social. Na prática, tornou a bandidagem “vítima” do sistema.

Parece ter mudado de idéia, como sempre. Ou, no mínimo, as urnas estão pedindo para que finja. Programa contra o crack, assim, é mesmo um droga!

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