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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

O poder das “vítimas”

Quem é bruto nessa história toda? Vejam os adjetivos com que já fui brindado pelos defensores do Baldaboa e os que empreguei para criticar não as pessoas, mas o projeto. Nem sei de cabeça o nome das duas pesquisadoras. Se quiser falar delas, sou obrigado a fazer uma pequena pesquisa. Jamais as acusei de coisa […]

Por Reinaldo Azevedo 3 jul 2007, 16h40 | Atualizado em 31 jul 2020, 22h20
O poder das “vítimas” Priorizar nos meus resultados Google
Quem é bruto nessa história toda? Vejam os adjetivos com que já fui brindado pelos defensores do Baldaboa e os que empreguei para criticar não as pessoas, mas o projeto. Nem sei de cabeça o nome das duas pesquisadoras. Se quiser falar delas, sou obrigado a fazer uma pequena pesquisa. Jamais as acusei de coisa nenhuma. Nem mesmo de incitar o consumo de ecstasy. Eu acuso o projeto Baladaboa, aí sim, de frívolo, de irresponsável, de ambíguo, de uso de uma linguagem inadequada. COM BASE NO QUE ESTÁ ESCRITO NOS FOLHETOS, cuja distribuição é, a meu juízo, indiscriminada. E sustento que isso não pode ser considerado política de redução de danos. Só isso.

Mas não importa. A regra é realmente esta, já tantas vezes enunciada por Olavo de Carvalho, lembrando uma das máximas leninistas: acuse-os daquilo que você faz:
– demonize os adversários e diga que você está sendo demonizado:
– tente atingir a sua honra e a sua dignidade profissional e diga que eles não respeitam ninguém;
– discrimine, jogue pechas, tente isolá-los, peça a sua cabeça, mas não se esqueça de acusá-los de truculentos.

A que propósito serve a tática? Ora, não há melhor lugar para exercer o discurso da truculência do que o lugar da vítima. É o vitimismo que confere a licença moral para as maiores atrocidades. A história é plena de exemplos:
– os nazistas consideravam que o povo alemão havia sido a grande vítima da Primeira Guerra Mundial e do Tratado de Versalhes;
– os stalinistas consideravam que a então nascente república socialista era vítima dos anti-revolucionários e das nações européias que combatiam o socialismo;
– os sérvios se consideravam vítimas do alinhamento então passado dos croatas com os nazistas;
– os croatas se consideravam vítimas da liderança dos sérvios durante o regime comunista iugoslavo;
– os terroristas palestinos se consideram vítimas do sionismo;
– a Al Qaeda se considera vítima dos “cruzados”.

Por trás de todo assassinado em massa, de toda tirania, de todo totalitarismo, de todo ato terrorista, há, invariavelmente, o discurso da vítima, que confere aos assassinos, nem que seja da honra alheia, a legitimidade para matar.

Em escala reduzida, um tanto ridícula, a turma favorável ao Baladaboa faz a mesma coisa: o algoz sou eu, encarnação da “direita” — “reacionário, fascista, truculento, feio pra cacete”… —, e as vítimas são eles. Por isso, suaves que são, não hesitam nem mesmo em mandar mensagens aos patrões de seus adversários: “Olhe, patrão dos outros, esse cara dá prejuízo” (ouçam o Podcast de Diogo Mainardi da semana passada).

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Nenhum poder é tão destruidor do futuro como o poder da vítima. Não é por acaso que Lula é o presidente da República. Se bem se lembram, ele passou a vida como “vítima” oficial. Lembram-se dele, às lágrimas, relatando a morte da própria mulher (a primeira) na campanha de 2002? Quase ninguém disse um pio. Uns dois ou três protestaram. Eu reagi.

O Apedeuta é tão vítima que até recebe uma pensão mensal de quase R$ 5 mil (líquidos) por conta de sua “luta” contra a ditadura. Você paga. Essa grita sobre o Baladaboa é só a expressão, vá lá, espiritual de um poder real que o petismo e suas variantes foram assumindo. Os que se opõem a esse projeto devem ser silenciados, esmagados, destruídos.

Tudo em nome da liberdade.

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