O poder das “vítimas”
Quem é bruto nessa história toda? Vejam os adjetivos com que já fui brindado pelos defensores do Baldaboa e os que empreguei para criticar não as pessoas, mas o projeto. Nem sei de cabeça o nome das duas pesquisadoras. Se quiser falar delas, sou obrigado a fazer uma pequena pesquisa. Jamais as acusei de coisa […]
Mas não importa. A regra é realmente esta, já tantas vezes enunciada por Olavo de Carvalho, lembrando uma das máximas leninistas: acuse-os daquilo que você faz:
– demonize os adversários e diga que você está sendo demonizado:
– tente atingir a sua honra e a sua dignidade profissional e diga que eles não respeitam ninguém;
– discrimine, jogue pechas, tente isolá-los, peça a sua cabeça, mas não se esqueça de acusá-los de truculentos.
A que propósito serve a tática? Ora, não há melhor lugar para exercer o discurso da truculência do que o lugar da vítima. É o vitimismo que confere a licença moral para as maiores atrocidades. A história é plena de exemplos:
– os nazistas consideravam que o povo alemão havia sido a grande vítima da Primeira Guerra Mundial e do Tratado de Versalhes;
– os stalinistas consideravam que a então nascente república socialista era vítima dos anti-revolucionários e das nações européias que combatiam o socialismo;
– os sérvios se consideravam vítimas do alinhamento então passado dos croatas com os nazistas;
– os croatas se consideravam vítimas da liderança dos sérvios durante o regime comunista iugoslavo;
– os terroristas palestinos se consideram vítimas do sionismo;
– a Al Qaeda se considera vítima dos “cruzados”.
Por trás de todo assassinado em massa, de toda tirania, de todo totalitarismo, de todo ato terrorista, há, invariavelmente, o discurso da vítima, que confere aos assassinos, nem que seja da honra alheia, a legitimidade para matar.
Em escala reduzida, um tanto ridícula, a turma favorável ao Baladaboa faz a mesma coisa: o algoz sou eu, encarnação da “direita” — “reacionário, fascista, truculento, feio pra cacete”… —, e as vítimas são eles. Por isso, suaves que são, não hesitam nem mesmo em mandar mensagens aos patrões de seus adversários: “Olhe, patrão dos outros, esse cara dá prejuízo” (ouçam o Podcast de Diogo Mainardi da semana passada).
Nenhum poder é tão destruidor do futuro como o poder da vítima. Não é por acaso que Lula é o presidente da República. Se bem se lembram, ele passou a vida como “vítima” oficial. Lembram-se dele, às lágrimas, relatando a morte da própria mulher (a primeira) na campanha de 2002? Quase ninguém disse um pio. Uns dois ou três protestaram. Eu reagi.
O Apedeuta é tão vítima que até recebe uma pensão mensal de quase R$ 5 mil (líquidos) por conta de sua “luta” contra a ditadura. Você paga. Essa grita sobre o Baladaboa é só a expressão, vá lá, espiritual de um poder real que o petismo e suas variantes foram assumindo. Os que se opõem a esse projeto devem ser silenciados, esmagados, destruídos.
Tudo em nome da liberdade.







