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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

O PENSAMENTO PROFUNDO DE LULA

Perguntam-me, não sei se gente que veio ao mundo sem tecla SAP, por que chamo Lula de Schopenhauer. Por quê? Bem, eu considero o filósofo um exemplo de pensamento complexo e rigoroso, de modo que suas respostas e indagações estão sempre além do óbvio. Ora, esse é Lula, não é mesmo? Eu o tenho como exemplo […]

Por Reinaldo Azevedo 30 jun 2009, 22h38 • Atualizado em 31 jul 2020, 17h20
  • Perguntam-me, não sei se gente que veio ao mundo sem tecla SAP, por que chamo Lula de Schopenhauer. Por quê? Bem, eu considero o filósofo um exemplo de pensamento complexo e rigoroso, de modo que suas respostas e indagações estão sempre além do óbvio. Ora, esse é Lula, não é mesmo? Eu o tenho como exemplo similar de rigor.

    Vi há pouco Lula no Jornal Nacional, com ar grave, tom meio irritadinho, a pedir a volta do bandoleiro Manuel Zelaya a Honduras. Chamou o que considera “golpe de estado” de “desnecessário”. Ontem, reconheceu que Zelaya tentou fazer algo contra a lei, mas indagou o que há de errado em se consultar o povo…

    Agora uma pausa. Entre amanhã e o dia 3, a União Africana, que reúne todos os democratas do continente, vocês sabem, realiza a sua 13ª cúpula. O encontro será em Sirte, na Líbia, governada há 40 anos — EU ESCREVI “QUARENTA” — pelo iluminista Muamar Khadafi. Entre outras graças em sua biografia, Khadafi mandou explodir um avião da Pan Am em 1988. Morreram 270 pessoas. Por incrível que pareça, ele assumiu a responsabilidade, aceitando indenizar as famílias. Foi um atentado de uma série. Adiante.

    Lula é o convidado de honra do encontro. Até aí, vá lá, diriam os pragmáticos. É convidado, né? Pois é. Ele próprio tentou ensaiar esse discurso em entrevista no Jornal Nacional. Mas Lula é Lula, ou não seria meu Schopenhauer. Indagado se a proximidade com Khadafi não seria contraditória com sua postura sobre Honduras, sustentou que é preciso não confundir as coisas etc e tal e se referiu assim ao homicida em massa, ao ditador: “Uma pessoa que alguns dizem ter problemas com a democracia”.

    Entenderam? O presidente interino de Honduras, empossado segundo a Constituição democrática do país, merece o desprezo de Lula. Já Khadafi, o assassino, o ditador, o facinoroso… Bem, sobre esta flor da humanidade, Schopenhauer afirma que “alguns dizem que ele tem problemas com a democracia”.

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    “Alguns”, entendem? Ele, Lula, é claro!, não diz isso. Ele deve achar que Khadafi tem todo o direito de matar o seu próprio povo e o povo alheio. Khadafi, afinal, é um aliado.

    Os petralhas que vêm ao meu blog “cobrar” (como se, aqui, pudessem “cobrar” alguma coisa; desinfeta, cambada!) que eu admita o “golpe” em Honduras certamente concordam com a opinião de Lula sobre Khadafi. Devem achar que é inteligência estratégica. É por isso que o meu desprezo por essa gente é ilimitado.

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