O governo do RS, Yeda e as estranhezas
Leiam o que vai abaixo. Comento em seguida. Por Elder Ogliari, na Agência Estado: O Ministério Público Federal anunciou hoje que vai mover ação de improbidade administrativa contra a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB); seu marido, Carlos Crusius; a assessora do governo estadual Walna Menezes; o ex-secretário-geral de governo Delson Martini; […]
Leiam o que vai abaixo. Comento em seguida.
Por Elder Ogliari, na Agência Estado:
O Ministério Público Federal anunciou hoje que vai mover ação de improbidade administrativa contra a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB); seu marido, Carlos Crusius; a assessora do governo estadual Walna Menezes; o ex-secretário-geral de governo Delson Martini; o deputado federal José Otávio Germano (PP); os deputados estaduais Luiz Fernando Zachia (PMDB) e Frederico Antunes (PP); o presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas; e o tesoureiro da campanha do PSDB ao governo do Estado em 2006, Rubens Bordini. A ação vai propor o afastamento temporário dos agentes públicos enquanto durar o processo e a perda dos cargos no julgamento. Também pedirá o bloqueio de bens ou valores que os acusados tenham auferido ilicitamente e seu ressarcimento aos cofres públicos.
Os promotores que compõem a força-tarefa que investiga desdobramentos da fraude que apurou desvios de R$ 44 milhões do Detran no final de 2007 não detalharam as acusações que farão contra a governadora e as outras pessoas relacionadas na ação alegando que há impedimentos legais para isso. Disseram, genericamente, que há irregularidades como enriquecimento ilícito ou dano ao erário público ou ferimento aos princípios da administração pública, sem indicar quais delas teriam sido praticadas por quais acusados.
Comento
Bem, já estou preparado para o que vem tão logo eu conclua este comentário. É do jogo. Se eu não quisesse confusão, escreveria, sei lá, sobe horóscopo — bem, nem assim…
Que se investigue tudo sobre o governo do Rio Grande do Sul e o governo de qualquer lugar. Sempre. E que cada um pague por aquilo que fez. Mas que a situação política do Rio Grande do Sul começa a compor um belo roteiro surrealista, isso é inegável.
– Não me lembro de Ministério Público anunciar que vai mover ação. Ação não se anuncia; quando há elementos, move-se e pronto. Enquanto dava a entrevista, já havia uma ação?;
– também nunca vi promotores listando os nomes das pessoas envolvidas, os crimes que “todos” cometeram, sem dizer quem cometeu o quê;
– igualmente nunca vi o anúncio de que o afastamento será pedido; de novo: ou se pede ou não se pede;
– ao se anunciar que se vai pedir o afastamento de nada menos do que uma governadora de estado, não é o caso de especificar, ao menos, qual é a acusação?
Afinal, o que foi aquela entrevista? Uma espécie de avant-première? Uma pré-ação? Qual é o embasamento jurídico daquele ato? Ficou com cara mais de ação política do que de ação técnica.
Confesso que não acompanho no detalhe as acusações que pesam contra Yeda. Como não acompanho as que há contra a petista Ana Júlia Carepa (PT-PA) ou um outro governador qualquer. Não há tempo. Leio boa parte da pletora de coisas que têm sido publicada, e, com efeito, não é pouco. Reitero: que se investigue tudo.
Mas me parece que tudo sairá melhor para todo mundo se o Ministério Público Federal, além de não agir politicamente, também não der a impressão de que age. Afinal, todos querem o cumprimento da lei, de acordo com os rituais, não?





