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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Ô Cardozo! Deixe de firula! Quem quer sair não fica mandando recadinho. Sai. E eu não choro!

Olhem aqui: na minha vida profissional, como chefe ou como subordinado, jamais usei, ou permiti que usassem comigo, a fórmula “estou pensado em sair…”. Quem quer sair, ora essa!, sai, a menos que, ao fazer a ameaça, esteja querendo alguma coisa, nem que seja um pouco de carinho, certo? Nunca recorri a isso com os […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 01h01 - Publicado em 3 jul 2015, 08h32

Olhem aqui: na minha vida profissional, como chefe ou como subordinado, jamais usei, ou permiti que usassem comigo, a fórmula “estou pensado em sair…”. Quem quer sair, ora essa!, sai, a menos que, ao fazer a ameaça, esteja querendo alguma coisa, nem que seja um pouco de carinho, certo?

Nunca recorri a isso com os meus patrões — que podem me dar tchau quando decidirem, porque farei o mesmo se decidir (e nunca falo mal de ex-patrão porque tenho vergonha na cara, senso de decoro e asco do ressentimento) — e nunca dei curso a esse tipo de conversa quando do outro lado da mesa. As pessoas têm de saber o que as torna felizes ou infelizes. Eu sei e faço as minhas escolhas.

Por que isso? José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, anda a dizer por aí que está pensando em sair. Ora, saia então! Parece que está insatisfeito com as pressões do PT, especialmente por causa da Polícia Federal. É claro que, se caísse fora agora, depois dessa conversa, pesaria uma suspeita de que o partido está aparelhando a PF, que se tornaria menos independente.

Bem, o ministro que decida. Por mim, vai tarde. Algumas das leituras mais vesgas da realidade política vêm da área deste senhor. Eu o considero inepto e arrogante. O fato de o PT também não gostar dele não me faz mudar de ideia. É claro que eu preferia que saísse por bons motivos, não por maus.

Mas aí aplico a minha fórmula. Quem quer sair mesmo não avisa nem faz firula. De resto, vamos combinar, né? O ministro julgava estar apenas esquentando a cadeira, de olho naquela vaguinha do STF. Com a extensão da aposentadoria dos ministros de tribunais superiores para os 75 anos, acabou-se o que era doce. Só sobrou a chuva de pepinos. Acho que ele fica. Mas não vou dar a menor bola se eu estiver errado.

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