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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

O BRASIL DELES 3 – A hora dos cínicos

Na Folha Online de ontem, lia-se o seguinte:Dois dias após o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) ter chamado de ilegal o repasse de recursos federais a movimentos que promovem invasões de terra, ministros saíram em defesa do financiamento de associações ligadas à reforma agrária, dizendo que Gilmar Mendes não apontou nenhum fato concreto.Na quarta-feira, […]

Por Reinaldo Azevedo 1 mar 2009, 05h09 | Atualizado em 31 jul 2020, 18h06
O BRASIL DELES 3 – A hora dos cínicos Priorizar nos meus resultados Google
Na Folha Online de ontem, lia-se o seguinte:
Dois dias após o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) ter chamado de ilegal o repasse de recursos federais a movimentos que promovem invasões de terra, ministros saíram em defesa do financiamento de associações ligadas à reforma agrária, dizendo que Gilmar Mendes não apontou nenhum fato concreto.
Na quarta-feira, Mendes disse, ao comentar a série de ações dos sem-terra durante o Carnaval, que repassar dinheiro público para quem promove invasões de terra é uma “ilicitude”, sendo a responsabilidade, segundo ele, “de quem subsidia”, no caso o governo federal.
Em Florianópolis, Dilma Rousseff (Casa Civil) disse que o governo age dentro da lei ao transferir verbas às organizações e que aguarda manifestação “formal” do Judiciário sobre eventuais entidades que recebem recursos públicos e estão envolvidas em invasões.
“Para que alguma coisa se caracterize como legalidade ou ilegalidade, ou há uma prova real ou uma manifestação do Judiciário. Eu estou falando de uma manifestação formal. Ou seja, com fundamento.”
O ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) afirmou que não existe “ilicitude abstrata” e que a pasta não repassa dinheiro ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
“Não existe ilicitude abstrata. É preciso saber se a ilicitude é referente a qual contrato, a qual convênio, a qual repasse, pra que a gente possa corrigir.” Segundo Cassel, não existe prova de que entidades como a Anca (Associação Nacional de Cooperação Agrícola) e a Concrab (Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária) sejam de fato braços do MST.
Ele diz que “está valendo”, sim, a medida provisória, editada em 2001, que veta o repasse de recursos a entidades que promovam invasões de terra.
O MST não existe juridicamente, ou seja, não tem CNPJ e, portanto, não pode receber recursos públicos. Por isso criou entidades paralelas, como a Anca e a Concrab, para receber verbas oficiais. Essas entidades funcionam fisicamente sob o mesmo teto do MST em São Paulo e Brasília.
Questionado se tem alguma dúvida sobre a relação dessas entidades com o MST, Cassel disse: “Não tenho nenhuma comprovação objetiva, documental, de que essas duas entidades sejam ligadas ao MST”.
Ao lado do Iterra, outra entidade ligada ao MST, Anca e Concrab receberam do governo petista R$ 41,5 milhões. Desde 2004, porém, esse volume de recursos vem caindo a uma média de 25% ao ano.
Ainda sobre as declarações de Mendes, o ministro Cassel disse que a “criminalização é o caminho mais fácil, aparentemente, e menos eficaz”.

Comento
Entenderam? O MST não tem existência legal. As entidades que recebem dinheiro do governo são braços do movimento, o que é público — e, pasmem!, nem mesmo os ditos sem-terra negam o fato. Mas o ministro diz não ter “comprovação objetiva” dessa ligação. E nem poderia, já que, para todos os efeitos, o MST não existe.

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