“Mas e você? Falou bem do PT alguma vez?”
A pergunta que vai no título me foi feita ontem à tarde. Dona Reinalda, que me conhece bem, separou e me mandou por e-mail: “Acho que rende um bom post”. Olhem, acho que já falei bem, sim. Por exemplo: sempre elogiei a decisão de Lula de ter mantido os petistas longe da economia (Guido Mantega […]
Mas alguém já me viu a cacarejar a minha isenção? Não! Não sou de esquerda – eu deploro boa parte das teses esquerdistas. Quando elas não pecam porque criminosas, pecam porque ineficientes. A melhor coisa que há no governo é a política econômica, que é de direita – ser a melhor coisa não quer dizer ser perfeita: é que não encontro nada melhor.
Acho as políticas de educação e saúde do governo, por exemplo, uma soma de equívocos. Acho que o poder estimula a ilegalidade, alimentando aparelhos de militância de extrema esquerda que, claro, não farão a revolução, mas permanecem por aí espalhando a ideologia do pobrismo (vocês conhecem essa crítica). Eu não me encanto com esse distributivismo da miséria, que torna milhões de pessoas estado-dependentes. E, acima de tudo, tenho verdadeiro horror dessa mania dos petistas de esconderem seus crimes na suposição de que outros já foram criminosos antes.
Faço um blog. Jamais escondi que tenho convicções, religião, pontos de vista, princípios. Está tudo naquilo que escrevo. Mas há uma coisinha básica: EU NÃO MINTO. Os petistas podem demonizar o quanto quiserem a minha opinião sobre a pílula do dia seguinte, mas eu não inventei a sua distribuição. Podem achar que sou um reacionário incurável quando deploro as opiniões do ministro Temporão sobre o aborto, mas não pus palavras na boca dele. Podem latimar que eu aponte a convivência do PT com as Farc no Foro de São Paulo. Mas o PT e as Farc são, de fato, do Foro de São Paulo. Ou não são?
Tenho mais divergências com o PT do que com o PSDB? Tenho. Tenho mais divergências com o PSDB do que com o DEM? Tenho. Reitero: faço um blog, uma página pessoal. Submeto os fatos políticos ao crivo das minhas convicções. É por isso que existo. É o que os leitores querem de mim. Ora, se a prática política do petismo vai na contramão de quase tudo aquilo que penso, é natural que o PT, aqui, apanhe mais.
Acho que não posso ser mais claro. E concluo com a evidência do quão falacioso é o pensamento dos que me atacam porque, afinal, tenho um lado – mas não um partido. Observem que não cobram a “isenção” dos blogueiros de esquerda. Eles já seriam isentos pela própria natureza, como se o esquerdismo fosse o ponto de equilíbrio do debate, a mais natural das posições. Eles, porque esquerdistas, não precisariam reconhecer os méritos, vá lá, “da direita”. Eu, porque, então, um “direitista” (ao menos na classificação deles), estaria moralmente obrigado a condescender com seus pontos de vista.
“Aqui pra eles” (a frase faz-se acompanhar pelo gesto que significa “uma banana”).





