Manchetes de hoje, clipping e considerações
Os cadernos de esportes deste domingo trazem mais sangue do que A Marselhesa, cantada ontem por Zidane, o jogador que demonstrou como se comporta um “melhor do mundo”. E a prática é jacobina: cortam-se cabeças. Sobra carrasco para todo lado. Parreira, claro, é o principal alvo. Ronaldinho Gaúcho, finalmente, entrou na fila. Roberto Carlos, que […]
Os cadernos de esportes deste domingo trazem mais sangue do que A Marselhesa, cantada ontem por Zidane, o jogador que demonstrou como se comporta um “melhor do mundo”. E a prática é jacobina: cortam-se cabeças. Sobra carrasco para todo lado. Parreira, claro, é o principal alvo. Ronaldinho Gaúcho, finalmente, entrou na fila. Roberto Carlos, que ajeitava a meia, paradão, enquanto Zidane cruzava e Thierry Henry fazia o gol, é degolado. Cafu não escapa. Kaká, que começou idolatrado e ganhou páginas de jornais como o “novo líder”, ainda vai a julgamento. Ronaldo, o Gorducho, diz que não sabe se pretende continuar na Seleção. Uma falação dos diabos. Parreira, é certo, poderia ter-se mexido antes, mas incomoda o tom geral: parece que os marmanjos do Brasil precisam de babá. O que há de bom nisso tudo? Chegam ao fim as campanhas publicitárias meio cafajestes, boa parte inspirada no espírito macunaímico. Ignorei a questão no clipping abaixo. Vamos cuidar de coisas mais relevantes. Os cronistas esportivos já tiveram a chance de falar todas as bobagens que ficaram represadas durante quatro anos. Tem jogo bem mais importante pela frente. Por enquanto, a maioria dos brasileiros está como Roberto Carlos: ajeitando a meia. Tomara que acorde. Em tempo: a leitura do manifesto anti-racismo mostrou um Cafu lendo aos soquinhos, sem nenhuma intimidade com a palavra escrita, em contraste justamente com Zidane. Não achei a íntegra, mas tenho a impressão de que um infinitivo lá doeu na minha orelha: a coisa vem de cima. Poderiam me lembrar que Garrincha era semi-analfabeto. Ok, primeiro me tragam um Garrincha semi-analfabeto. Só fiquei puto porque as minhas filhas choraram de tristeza. Se eu pudesse, esbofeteava aqueles moleirões. Não valem as lágrimas de duas meninas que ainda não aprenderam a se defender “deste país”. Thierry Henry só está errado numa coisa: mesmo quem estuda oito horas por dia pode ganhar facilmente do Brasil. A gente precisa é de escola, não de bola. Seguem as manchetes de chuteiras e depois o que interessa.
Estadão: Um time para esquecer
Folha: França, de novo, elimina o Brasil
O Globo: França liquida o Brasil





