Longe de Deus, perto dos EUA e… do inferno
O populista López Obrador, o candidato do PRD à Presidência do México, conseguiu, no grito, que se refizessem as contas das planilhas eleitorais, incluindo aquelas rasuradas (e que, pois, contrariavam a lei), o que, estima-se, levaria a uma sensível diminuição da vantagem de Felipe Calderón, do PAN. Uma distância de 402 mil votos se reduziria […]

O populista López Obrador, o candidato do PRD à Presidência do México, conseguiu, no grito, que se refizessem as contas das planilhas eleitorais, incluindo aquelas rasuradas (e que, pois, contrariavam a lei), o que, estima-se, levaria a uma sensível diminuição da vantagem de Felipe Calderón, do PAN. Uma distância de 402 mil votos se reduziria a 250 mil, ou 0,67% dos votantes. O Instituto Federal Electoral resolveu somar de novo todas as planilhas. O resultado é incerto. Está-se repetindo no México, quem sabe agora de forma bem-sucedida, o mito que tentou deslegitimar a reeleição de George W. Bush nos EUA, alimentando os filminhos cheios de teorias conspiratórias de delinqüentes intelectuais como Michael Moore. Um grupo armado, o Exército Popular Revolucionário (EPR), já apareceu para denunciar a “fraude”. A seriedade da acusação se prova assim: se López Obrador for declarado vitorioso, é claro que ela deixaria de existir, e tudo se tornaria legítimo. Ou seja, é uma eleição em que só é lícito haver um vitorioso. Se Obrador levar, restará repetir com Porfírio Diaz: “Pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos” — atribuí outro dia a frase a Lázaro Cárdenas. Fiz a correção. Mas faço de novo. O roteiro que serviu para acusar de fraudulenta a eleição de Bush está sendo inteiramente repetido no México, com listas achadas no lixo, acusações de votos não contabilizados, conspirações para todo lado. A imprensa faz o seu trabalho… Se Obrador vencer, desconfio que o México não só continua longe de Deus, perto dos EUA, como também vai flertar com o inferno. Se Calderón ganhar, terá pela frente um pepino e tanto. Seus adversários já se encarregaram de tornar suspeita a sua eventual eleição.





