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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

LIBERTANDO OS ENTREVADOS

Petralha entende tudo pelo avesso mesmo. Já me chegaram aqui algumas dezenas de comentários – um deles eu até publiquei; mesmo com os dois pés e as duas mãos no chão, está quase educado — indagando qual a diferença entre a fala do deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), que disse estar se “lixando para a opinião […]

Por Reinaldo Azevedo 9 Maio 2009, 06h23 | Atualizado em 31 jul 2020, 17h40
Petralha entende tudo pelo avesso mesmo. Já me chegaram aqui algumas dezenas de comentários – um deles eu até publiquei; mesmo com os dois pés e as duas mãos no chão, está quase educado — indagando qual a diferença entre a fala do deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), que disse estar se “lixando para a opinião pública”, e a de Gilmar Mendes, presidente do STF, segundo quem os juízes não têm de ficar ouvindo as ruas, mas as leis.

Ah, mas é abismal!!! Essa gente adora dizer que tudo é a mesma coisa, que não há diferença entre abobrinha e mortadela porque tudo, afinal, é alimento. Aliás, a depender do critério que se escolha, ignoradas as particularidades, não há diferenças entre Silvinho Land Rover (lembram-se dele?) e Schopenhauer.

Comecemos pela diferença de condição. Moraes é deputado. Representa, por excelência, o “povo” — e, pois, também a opinião pública. Das duas Casas legislativas, aquela que tem a vocação para espelho da população é a Câmara. Tanto é assim, que a sua composição obedece ao critério da proporcionalidade — embora, no Brasil, com efeito, ela seja um pouco distorcida. No Senado, é diferente. Cada estado conta com três representantes, pouco importa a população. Não por acaso, o presidente da Câmara é o terceiro na linha de poder, depois de presidente e vice.

Assim, não se concebe um parlamentar que possa estar “se lixando” para a opinião pública porque, com efeito, ele é uma expressão da opinião pública. Mas essa representação também não se dá fora de parâmetros. Quais são eles? Aqueles estabelecidos pela Constituição. Se a massa quiser punir bandidos com linchamentos, o deputado não tem como ser porta-voz dessa demanda porque isso ofende cláusulas pétreas da Carta.

Juízes e ministros do Supremo não são eleitos pelo povo. Não são representantes do povo, mas da ordem legal que regulamenta, inclusive, a representação. Sim, o conjunto de leis em nome do qual atuam também deriva do exercício da vontade popular, mas suas decisões buscam o sentido da permanência. Ao contrário dos deputados e, vá lá, dos senadores, que devem ser correias de transmissão de anseios contingentes (sempre nos limites da Constituição), aos juízes cabe justamente o contrário: escoimar de suas decisões o que é alarido, calor da hora, correntes organizadas de opinião, para se fixar nos princípios da Constituição e das leis. Elas têm a vocação — embora possam envelhecer, e, por isso, temos o Legislativo — para a permanência. Um bom juízo procede à devida reparação do direito agravado no particular, mas honra as disposições genéricas e de princípio dadas pela Justiça. Juiz ou ministro que quer ser porta-voz das ruas tem de disputar eleições.

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Outras diferenças
Quer dizer que o deputado Sérgio Moraes tem de pedir a cassação de Edmar Moreira (sem partido-MG), mesmo sem motivos, só porque o povo quer? Pergunta objetiva: faltam motivos para cassar Moreira? Moraes, sem dúvida, tem o inteiro direito de sustentar que sim — e poderia ter explicitado seu voto dentro do rito legal. E a Câmara decidiria o que fazer. Mas ele mandou os ritos às favas, antecipou seu voto e procurou estabelecer um valo entre a Casa que representa o povo e o povo que a Casa representa.

Notem bem: uma coisa seria o tal Moraes dar o seu voto ignorando, então, o sentimento geral favorável à cassação e enfrentar a eventual reação negativa. Não haveria mérito nenhum nisso — já que sua causa é muito ruim —, mas tudo estaria de acordo com as regras do jogo. Coisa muito diferente é desqualificar a população como fonte legitimadora do mandato parlamentar.

Eu sei que, para um petralha, esse mundo cheio de matizes e nuances beira o incompreensível, soa como um trocadilho feito em búlgaro antigo. Mas fazer o quê? E sei também que eles não saem daqui porque têm sempre a chance de aprender um pouco em textos como este. Afinal, quem poderia lhes dar algumas lições em português claro? A Ratazana analfabeta é que não haveria de ser. Ela tem é vocação para cheerleader peluda da ala heavy metal do governismo mais obtuso. Até porque só consegue se expressar com clareza quem consegue pensar com clareza.

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Tio Rei ilumina os ignorantes na esperança de alguma recompensa divina, hehe.

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