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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Eliot

No post sobre o Ano Novo, escrevi “Como já se disse muito bem, sem cuidado, algumas das coisas que mais amamos e que garantem a nossa sanidade podem PADECER num simples suspiro, sem estrondo.” O certo é “Como já se disse muito bem, sem cuidado, algumas das coisas que mais amamos e que garantem a […]

Por Reinaldo Azevedo 1 jan 2008, 17h05 • Atualizado em 31 jul 2020, 20h01
  • No post sobre o Ano Novo, escrevi “Como já se disse muito bem, sem cuidado, algumas das coisas que mais amamos e que garantem a nossa sanidade podem PADECER num simples suspiro, sem estrondo.” O certo é “Como já se disse muito bem, sem cuidado, algumas das coisas que mais amamos e que garantem a nossa sanidade podem PERECER num simples suspiro, sem estrondo.”

    Alguns leitores perceberam o erro. É uma referência a “Os Homens Ocos”, de TS Eliot:

    Assim expira o mundo
    Assim expira o mundo
    Assim expira o mundo
    Não com uma explosão, mas com um suspiro
    .

    Prefiro “estrondo” a explosão.

    Segue a tradução de Ivan Junqueira

    OS HOMENS OCOS

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    “A penny for the Old Guy”
    (Um pêni para o Velho Guy)

    Nós somos os homens ocos
    Os homens empalhados
    Uns nos outros amparados
    O elmo cheio de nada. Ai de nós!
    Nossas vozes dessecadas,
    Quando juntos sussurramos,
    São quietas e inexpressas
    Como o vento na relva seca
    Ou pés de ratos sobre cacos
    Em nossa adega evaporada
    Fôrma sem forma, sombra sem cor
    Força paralisada, gesto sem vigor;
    Aqueles que atravessaram
    De olhos retos, para o outro reino da morte
    Nos recordam – se o fazem – não como violentas
    Almas danadas, mas apenas
    Como os homens ocos
    Os homens empalhados.

    II
    Os olhos que temo encontrar em sonhos
    No reino de sonho da morte
    Estes não aparecem:
    Lá, os olhos são como a lâmina
    Do sol nos ossos de uma coluna
    Lá, uma árvore brande os ramos
    E as vozes estão no frêmito
    Do vento que está cantando
    Mais distantes e solenes
    Que uma estrela agonizante.
    Que eu demais não me aproxime
    Do reino de sonho da morte
    Que eu possa trajar ainda
    Esses tácitos disfarces
    Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
    E comportar-me num campo
    Como o vento se comporta
    Nem mais um passo
    – Não este encontro derradeiro
    No reino crepuscular

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    III
    Esta é a terra morta
    Esta é a terra do cacto
    Aqui as imagens de pedra
    Estão eretas, aqui recebem elas
    A súplica da mão de um morto
    Sob o lampejo de uma estrela agonizante.
    E nisto consiste
    O outro reino da morte:
    Despertando sozinhos
    À hora em que estamos
    Trêmulos de ternura
    Os lábios que beijariam
    Rezam as pedras quebradas.

    IV
    Os olhos não estão aqui
    Aqui os olhos não brilham
    Neste vale de estrelas tíbias
    Neste vale desvalido
    Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos
    Neste último sítio de encontros
    Juntos tateamos
    Todos à fala esquivos
    Reunidos na praia do túrgido rio
    Sem nada ver, a não ser
    Que os olhos reapareçam
    Como a estrela perpétua
    Rosa multifoliada
    Do reino em sombras da morte
    A única esperança
    De homens vazios.

    V
    Aqui rondamos a figueira-brava
    Figueira-brava figueira-brava
    Aqui rondamos a figueira-brava
    Às cinco em ponto da madrugada
    Entre a idéia
    E a realidade
    Entre o movimento
    E a ação
    Tomba a Sombra
    Porque Teu é o Reino

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    Entre a concepção
    E a criação
    Entre a emoção
    E a reação
    Tomba a Sombra
    A vida é muito longa
    Entre o desejo
    E o espasmo
    Entre a potência
    E a existência
    Entre a essência
    E a descendência
    Tomba a Sombra
    Porque Teu é o Reino
    Porque Teu é
    A vida é
    Porque Teu é o
    Assim expira o mundo
    Assim expira o mundo
    Assim expira o mundo
    Não com uma explosão, mas com um suspiro.

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