Cuidado! Querem servir pizza com cerveja
Renan Calheiros (PMDB-AL) e sua trupe intrépida são bem mais ladinos do que parecem. O senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), presidente do Conselho de Ética, anulou o relatório do Homem Chamado Cafeteira (PTB-MA), aquele que pedia o arquivamento sumário do caso. Também dançaram dois pareceres em separado, um do PSDB e outro do PDT, que defendiam […]
Parte do Conselho de Ética agora está empenhado em dar nó no verbo para tentar ignorar algo bem mais grave do que as vaquinhas de Renan. A VEJA desta semana demonstra uma estranha triangulação envolvendo a cervejaria Schincariol, os Calheiros e dinheiro público. Isto mesmo: a empresa comprou uma fábrica de bebidas de Olavo Calheiros, irmão de Renan, que estava prestes a fechar, por R$ 27 milhões (leia na revista). O mercado diz que o preço está muito acima do razoável. Por uma dessas coincidências que só acontecem na política, Renan atuou, em seguida, para que o INSS e a Receita não cobrassem duas dívidas milionárias da cervejaria. No primeiro caso, é coisa de R$ 100 milhões.
Os três novos relatores nomeados – Renato Casagrande (PSB-ES), Almeida Lima (PMDB-SE) e Marisa Serrano (PSDB-MS) – afirmaram que o caso Schincariol não deve ser abordado no Conselho de Ética. Por que não? O que os senadores querem saber? Se Renan tinha ou não recursos para arcar com as contas de Mônica Veloso? Ah, ele vai conseguir provar que sim. Tê-los, é óbvio, ele os tinha. A questão está em como os conseguiu. Não há diferença, a não ser de milhões de reais, entre as vacas e a empresa que foi vendida. A senadora tucana, com a simplicidade que essa ave tem às vezes, afirma que esta teria de ser outra investigação. Para Renato Casagrande (PSB), o fato envolve o irmão de Renan. Errado. A transação entre Olavo e a Schincariol é o que menos importa. O que interessa é a ação posterior do agora presidente do Senado, que beneficiou a empresa.
A Polícia Federal pediu uma série de novos documentos. Tudo está sendo organizado para chegar a uma sentença mais ou menos assim: Renan cometeu pecados de contabilidade e pode até ter lesado o fisco – terá de pagar por isso. Mas dinheiro ele tinha e, pois, não precisaria recorrer a um lobista. Assim, não se justificaria a cassação. Ainda que o Conselho possa ser mais duro do que isso, quem vai decidir é o plenário.







