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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Como criar estatais e influenciar pessoas. Ou Estatismo, mercodofoia e pilantragem intelectual

Leiam atentamente o trecho abaixo. Volto depois: Por Valdo Cruz, na Folha:O governo Lula ainda não tem uma posição final sobre as novas regras para exploração dos novos megacampos de petróleo na costa brasileira, mas decidiu que não deve entregar para a Petrobras todas as áreas da chamada camada pré-sal ainda não leiloadas.Dois são os […]

Por Reinaldo Azevedo 10 ago 2008, 16h38 | Atualizado em 6 jun 2024, 00h18
Como criar estatais e influenciar pessoas. Ou Estatismo, mercodofoia e pilantragem intelectual Priorize VEJA no Google

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Leiam atentamente o trecho abaixo. Volto depois:

Por Valdo Cruz, na Folha:O governo Lula ainda não tem uma posição final sobre as novas regras para exploração dos novos megacampos de petróleo na costa brasileira, mas decidiu que não deve entregar para a Petrobras todas as áreas da chamada camada pré-sal ainda não leiloadas.Dois são os motivos:1) A Petrobras é uma empresa mista, com participação de capital privado; e 2) a estatal se transformaria numa empresa gigantesca, com poderes demais, podendo representar riscos no futuro, como já ocorreu na Venezuela, onde diretores da estatal PDVSA participaram de articulações golpistas.“Hoje, a Petrobras já é um outro país. Felizmente, um país amigo”, afirma, pedindo reserva, um ministro que acompanha os estudos ao falar sobre as restrições do governo em tornar a estatal poderosa demais, “maior do que o próprio Estado brasileiro”.Nas reuniões sobre o tema, por exemplo, foi destacado que esse risco não existe hoje e que o atual presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, é totalmente afinado com o governo. O risco estaria no médio e no longo prazos.Nessas discussões, é citada a tentativa de golpe em 2002 contra o presidente Hugo Chávez, quando executivos da PDVSA foram acusados de participar das articulações para beneficiar grupos estrangeiros que atuam no setor de petróleo.Daí que a proposta que conta com mais simpatia no governo é a criação de uma empresa puramente estatal para gerir as áreas dos megacampos de petróleo localizadas na camada pré-sal, que contrataria outras petrolíferas para a exploração, seguindo o modelo norueguês.Por sinal, o mesmo tipo de preocupação de não transformar a Petrobras em “um Estado dentro do Estado”, segundo palavras de ministros envolvidos no assunto, consta em relatório do governo norueguês ao montar seu modelo. Lá, duas estatais operam no setor de petróleo. Uma, criada em 2001, ficou com a gestão do patrimônio, a Petroro. A outra, Statoil, cuida da exploração.Ao defender esse sistema, um assessor que participa das discussões diz que nele a sociedade tem mais controle sobre seu patrimônio; já uma empresa de capital aberto não seria a melhor agente para controlar esses recursos.Apesar das restrições, o discurso no Planalto é que serão tomadas medidas para garantir um “grande papel” à Petrobras no novo modelo de exploração na camada pré-sal, que contém óleo mais leve e mais lucrativo.Nos planos do governo, a estatal se tornaria a grande parceira da União no pré-sal. Cálculos provisórios indicam, por exemplo, que ela já deteria 25% das reservas por conta das concessões já arrematadas pela empresa na região.A maior parte das reservas pré-sal ainda não foi leiloada, e o potencial real ainda não é conhecido, o que deve ocorrer apenas no final de 2009. Os leilões dessas áreas só serão retomados quando o governo definir as novas regras para exploração desse tipo de petróleo.Assinante lê mais aquiComentoA manchete da Folha é esta: “Petrobras não terá monopólio de campo”. Li só o título e pensei: “Oba!!!” Aí li o título da reportagem propriamente dita: “Governo teme força da Petrobras”. E comentei em silêncio: “Que estranho!” Aí fui ler a reportagem e constatei: “Que bando de picaretas!”.

Bem, vamos ver. Eu nunca achei que a Petrobras devesse ter o monopólio do que quer que seja — do pré-sal, do pós-sol, dos nossos destinos… Em suma: monopólio é uma porcaria. E o governo, vejam vocês, finge-se de preocupado também e consegue criar uma teoria — supostamente antimonopolista — para justificar a criação de mais uma estatal. É formidável. É o estado da arte da impostura!

E qual seria o mal da Petrobras ou que risco ela comporta? Ele está na sua burocracia inextrincável? Está no monopólio que, na prática, ela já detém? Está no fato de a empresa ter o que eu chamaria de eficiência formidável da caixa preta? Nâo! O mal da Petrobras, vejam lá, é sua parte privada, entendem? Afinal, ela é uma empresa de economia mista, e isso parece ser coisa muito perigosa. Por algum estranho caminho, esse lado privado foi associado ao suposto golpismo da PDVSA — que, não obstante, é estatal…

Jamais vi uma justificativa tão picareta, tão asnal, para a criação de uma nova estatal. E reitero: notem que a coisa está sendo vendida como se este fosse um governo que atacasse monopólios. É de dar vergonha. Veja quadro no alto deste post. Os dados ilustram uma reportagem de Marcio Aith e Giuliano Guandalini, publicada na edição nº 2024 de VEJA, em 5 de setembro do ano passado (íntegra aqui — link aberto).

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