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CHENEY E OS DOCUMENTOS SECRETOS DA CIA

O texto de que falo a seguir foi publicado ontem no site do The Washington Post pouco depois de o Podcast do Diogo ter ido ao ar. Não vi a informação na imprensa brasileira. Se eu estiver errado, vocês me corrijam. O fato é o seguinte: no dia 31 de março, Dick Cheney, ex-vice-presidente dos […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 17h38 - Publicado em 15 Maio 2009, 17h35

O texto de que falo a seguir foi publicado ontem no site do The Washington Post pouco depois de o Podcast do Diogo ter ido ao ar. Não vi a informação na imprensa brasileira. Se eu estiver errado, vocês me corrijam. O fato é o seguinte: no dia 31 de março, Dick Cheney, ex-vice-presidente dos EUA, solicitou à CIA a divulgação de dois documentos secretos que, segundo diz, demonstram que as técnicas de interrogatório empregadas contra terroristas evitaram atentados da Al Qaeda. A CIA rejeitou o seu pedido. Alegou razões legais para não divulgar os tais documentos. A reportagem está aqui.

Como escreve Diogo, a tortura é imoral? É, sim. Como também já indaguei e respondi aqui há tempos, não pode ser admitida em nenhuma hipótese? Bem, proponham a si mesmos um exercício: e se os serviços de Inteligência estiverem informados da iminência de um ataque terrorista que pode matar milhares de pessoas? Estamos diante de um daqueles terríveis dilemas. E não vejo como não se possa fazer a escolha pelo mal menor: proteger as milhares de vidas. Mas o problema moral permanece, certo?

Certo. O único caminho, num estado democrático e de direito, como é o americano, é ter autorização formal das instâncias do estado para práticas excepcionais. O Congresso dos EUA sempre soube de tudo — inclusive, como a imprensa americana já demonstrou, a saltitante radical chic Nancy Pelosi.

O fato inequívoco é que o governo Bush cumpriu essa formalidade. MAS ATENÇÃO: QUE TAIS PRÁTICAS SEJAM INVESTIGADAS, SIM! ISSO É PRÓPRIO DA DEMOCRACIA (sei que essa parte do meu texto será ignorada, mas é do jogo…). Se constatado que vidas foram salvas em razão dos “métodos condenáveis de interrogatório”, a equação moral se inverte — ou, vá lá, a indagação moral é outra: “seria preferível a morte de milhares de inocentes?”

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O que é especioso é que o governo Obama esteja fazendo tal estardalhaço sobre os métodos, mas impeça, então, a circulação plena de informações. Reitero: que se faça a investigação. Mas que se dê fim a essa história de que, de um lado, estão as pombas que são contra a tortura, e, de outro, os falcões carniceiros que praticam afogamentos por prazer. Não, não tenho nenhuma simpatia especial por Dick Cheney. Mas reconheço que uma coisa é ter, agora, uma opinião sobre as “técnicas de interrogatório” e outra, bem diferente, era tê-las enquanto pairava a ameaça de atentados iminentes. Ademais, não creio que a melhor forma de combater a truculência do ex-vice-presidente seja essa variante de populismo humanista do governo Obama.

Até porque, convenham, ele vem se desmentindo na prática, não é? Os tais tribunais de Guantánamo foram retomados depois da solene decisão de extingui-los. Como aqui se comentou tantas vezes, Obama não gostava daquela solução, mas não tinha outra para pôr no lugar. Ele ainda busca uma resposta. É mesmo uma pena que a CIA alegue razões legais para impedir a divulgação dos documentos. Já que temos acesso a todos os argumentos de um lado, seria conveniente conhecer, então, a contra-argumentação. Acho que ficaríamos mais próximos da verdade, que certamente está longe desse mundo de história infantil em que anjinhos democratas lutam contra demônios republicanos.

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