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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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CHALITA NÃO GOSTA DAS CRIANÇAS

O por enquanto vereador Gabriel Chalita (PSB-SP) realiza neste momento a sua maior obra na educação, área em que se diz especialista: tenta sabotar um programa correto do governo de São Paulo, que consiste na concessão de reajustes salariais extras, de 25%, a professores que obtiverem desempenho satisfatório em provas anuais. Também vão contar a […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 16h35 - Publicado em 22 out 2009, 18h49

O por enquanto vereador Gabriel Chalita (PSB-SP) realiza neste momento a sua maior obra na educação, área em que se diz especialista: tenta sabotar um programa correto do governo de São Paulo, que consiste na concessão de reajustes salariais extras, de 25%, a professores que obtiverem desempenho satisfatório em provas anuais. Também vão contar a assiduidade, tempo de permanência na escola etc. A proposta, em suma, aprovada na madrugada de ontem pela Assembléia, premia os melhores com um, reitero, REAJUSTE SALARIAL EXTRA.

Apeoesp, petistas e congêneres são contrários à medida. Se bem se lembram, a dita associação de professores é contrária a qualquer forma de exame que concorra para a qualificação dos professores — defendeu que gente que tirou ZERO em provas da disciplina que ministra permanecesse no ensino público. Chegou a queimar livros em praça pública.

Agora que pertence à base de Lula, Chalita, antes tão combatido por essa gente, se juntou a ela. Qualquer bobagem que diga, a imprensa registra. Em seu Twitter, comentando a proposta, escreveu: “Projeto do governo de São Paulo mostra que Serra não gosta de professor. Nada de aumento agora. Projeção de aumento mediante prova em alguns anos”. A sua síntese é mentirosa.

Se Chalita é contra um programa que força a qualificação do professor, então Chalita não gosta das crianças — ao menos não como alunos, já que, bom cristão que diz ser, deve levar a sério a máxima “Deixai vir a mim os pequeninos”.

Em Dois Córregos, a gente diria que Chalita já deu flor — já rendeu o bastante, já deu o que tinha de dar. Agora, é mero boneco de ventríloquo, a boca vicária de Ciro Gomes.

E seus eventuais admiradores, não sendo assessoria de imprensa de plantão, parem de ficar enviando para cá supostas evidências de que ele é um “intelectual”. Intelectual uma pinóia! Chalita é um misto de Conselheiro Acácio com Alexandre Frota, agora que anda fortão.

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Na verdade, eu ainda não me recuperei de uma reportagem de Sérgio Martins e Heloisa Joly, que VEJA publicou em 2006. Este pensador havia acabado de lançar um… disco! Seguem trechos. Volto depois.

Gritem, macaquinhos

O ex-secretário da Educação Gabriel Chalita se inspira em Toquinho e canta sobre bichinhos em seu primeiro disquinho

(…)Na semana passada, Chalita apareceu na roupagem de cantor com o show de lançamento de Gabriel Chalita Canta o Amor, CD no estilo popular-romântico-religioso. A apresentação, garante seu protagonista, foi um sucesso. “Minha banda é ma-ra-vi-lho-sa. Pensei: ‘Puxa, essas pessoas gostam de mim’.” Essas pessoas, no caso, eram 60.000 simpatizantes do movimento carismático da Igreja Católica reunidos na cidade de Cachoeira Paulista. Um crítico poderia dizer que, como bons cristãos, eles simplesmente perdoaram Chalita – que não sabia o que fazia.

(…)
“Há quinze anos tomo aulas de canto erudito, mas era apenas por prazer”, diz ele. O ex-secretário é autor de sete das treze faixas do disco. A inspiração foi tanta que ele compôs três canções numa única noite, sentado à mesa de um badalado restaurante paulistano. “Bem, eu já escrevi um livro em três dias”, jacta-se. Releituras muito pessoais de Gonzaguinha, Padre Zezinho e Toquinho completam o disco.

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A poética de Chalita tem a profundidade de uma piscina inflável. “Ciranda diferente: de gente / Vão todos à folia: alegria / Não há mais aspereza: gentileza / Só há muita aventura: ternura”, declama ele na faixa Meninas e Meninos. Em Sou Quixote, última canção do CD, ele alinhava: “Busco castelos / Moinhos de vento / Sou Quixote / Sou senhor /…/ Eu ainda busco um amor / Dulcinéia / Ou qualquer outro amor”. Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616), criador do Quixote, já teve sua obra agredida centenas de vezes por apropriações débeis. A de Chalita é a mais tolinha.

Trecho de O Meu Canto É
“O meu canto é uma forma
De estender um manto
E agasalhar toda essa gente
Essa tão linda gente a sonhar”

Trechos de Linda Natureza
“Cantam passarinhos.
Voam beija-flores
Beijam com amor, cheiros e sabores.
Nadam os golfinhos.
Pulam com gracejo.
Gritam os macaquinhos.
Tudo isso eu vejo”

Voltei
Quem pensa assim como poeta pensa daquele modo como educador. Sem contar que, desde Gonçalves Dias, que fez sabiá cantar em palmeira, ninguém havia antes inventado um ecossistema tão complexo. Depois de Aquarela do Brasil, temos a Aquarela do Chalita: um paraíso onde, ao mesmo tempo, “golfinhos nadam” (!), “passarinhos cantam”(!) e “beija-flores (que passarinhos não são) voam (!)”. Depois do “coqueiro que dá coco”, é a maior revolução da poesia brasileira.

O único comportamento não exatamente óbvio é o dos “macaquinhos”, que gritam! Macaquinhos levados!!!

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Até havia pouco, eu só o considerava o poeta dos “golfinhos que nadam”  e dos “passarinhos que voam”. Mas, agora, ele está fazendo coisa mais séria. Agora, ele está tentando sabotar um projeto de qualificação dos professores que, se bem-sucedido, beneficia, antes de tudo, os alunos.

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