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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

CCD – O Comando de Caça aos Direitistas

Cuidado com a extrema direita! Dois artigos na Folha de hoje dão conta de sua perversa existência. No seu artigo semanal na página 2, Fernando de Barros e Silva, editor de Brasil da Folha, descarta a possibilidade de um terceiro mandato de Lula. Dá uma pequena cutucada nas pretensões continuístas do PT (até alguns petistas […]

Por Reinaldo Azevedo 29 out 2007, 15h58 • Atualizado em 31 jul 2020, 20h15
  • Cuidado com a extrema direita! Dois artigos na Folha de hoje dão conta de sua perversa existência.

    No seu artigo semanal na página 2, Fernando de Barros e Silva, editor de Brasil da Folha, descarta a possibilidade de um terceiro mandato de Lula. Dá uma pequena cutucada nas pretensões continuístas do PT (até alguns petistas fazem o mesmo), mas bate mesmo é em quem está “do outro lado”, que ele chama de “fatia venezuelana da oposição brasileira”. Leiam o texto. Parece que os verdadeiros responsáveis pela existência de um movimento queremista no PT são seus adversários. Segundo o articulista, acusar Lula de chavista “não cola porque falta verossimilhança aos delírios dessa extrema direita alvoroçada, sempre atrás de pretextos tolos para nos alertar aos berros que o império da lei e a boa ordem democrática estão em perigo. Cadê o capitão Nascimento?

    Acho que ele ainda não se recuperou do impacto do capitão Nascimento. Como diria Lula, virou uma “biçeção”. O capitão Nascimento está no filme, companheiro. Aquilo é de mentirinha… A cuca não vem pegar. O Capitão Cabral é que é de verdade. Voltarei a esse ponto lá no fim.

    Não é a primeira vez que Barros e Silva, em sua coluna, alude ao que vai na página 3. Quando foi publicado o artigo de Ferréz (aquele que glamouziza o “Correria”, o assaltante), ele até advertiu o leitor sobre a melhor maneira de lê-lo. Hoje, fala da “extrema direita alvoroçada”, fazendo par com o texto ao lado, do tal Zeca Baleiro (ver posts abaixo), para quem a VEJA é um “reduto da ultradireita caricata”. O articulista da Folha ironiza “o império da lei e a boa ordem democrática”; Baleiro aponta a minha “hipócrita consciência democrática”. Jararaca & Ratinho.

    Mas, afinal, onde está a “extrema direita”? Cadê o seu partido? Onde estão as suas armas? Quais os exemplos de sua ação direta? Se me perguntarem onde se encontra a extrema esquerda, responderei: “no MST”. E nem o movimento vai reclamar. Vejam o exemplo do Paraná. É evidente que está em curso uma articulação, meio bisonha e atrapalhada, para estigmatizar a VEJA e alguns de seus colunistas, notadamente Diogo Mainardi e eu. Ele por razões óbvias; eu por causa do blog. E, como se vê, tá valendo tudo. Não há conspiração nem complô. A ação é explícita.

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    Pergunto-me qual foi o grande ato nefasto da revista de “ultradireita” neste, vá lá, ano de 2007. A resposta que me ocorre é uma só: ter desmascarado o grande patriota Renan Calheiros, forçando-o, por meio da reportagem — não do trololó —, a abandonar a presidência do Senado. O Brasil certamente é dos poucos países em que a defesa do “império da lei” e da “boa ordem democrática” é tratada como mera gritaria da “extrema direita alvoroçada”, atribuindo-se, é óbvio, a essa expressão o peso de um anátema.

    Caso se indague àquele cantor do PMPB (Partido da Música Popular Brasileira) o que faz da VEJA uma publicação de “ultradireita”, ele não saberá responder. Tanto quanto a ultraesquerda ultrapassa, como é sabido, o limite legal para encetar as suas ações, seria forçoso que o “outro extremo” (a VEJA, Diogo, eu…) fizesse o mesmo. Mas o quê? Cadê a ação? Cadê a transgressão? Se existe uma direita extremista em atividade, é o caso de chamar a Polícia Federal, a Abin, sei lá eu, os órgãos de defesa do estado democrático. Trabalho em casa. Diogo também. A VEJA tem endereço conhecido. Os policiais morreriam de tédio. Num acampamento do MST, por sua vez, eles teriam dias bem mais animados.

    É evidente que as acusações que partem de certos nichos se situam entre a fantasia delirante e a luta para recuperar um espaço no debate que se foi perdendo em razão de anos de acomodação. São incapazes de dizer: “Epa! Esperem aí. Tal defesa que a VEJA ou que seus articulistas fazem no caso ‘x’ é ilegal; atenta contra o estado de direito e a democracia”. Como não podem fazê-lo, decidem tratar com menoscabo o estado de direito e a democracia e optam pela qualificação barata: “direita”, “extrema direita”, “ultradireita”. Sem que sejam capazes de dizer por quê.

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    Lances risíveis e primários
    Essa ridicularia toda tem lances risíveis e primários. O tal Ferréz escreveu um texto “de ficção”, segundo a ótica de um bandido, e a esquerda que o adota — “porta-voz da periferia”, diz dele o cantante Zeca Baleiro; quem o elegeu? — nega veementemente que seja apologia do crime. “É ficção”, dizem uns. “É o outro lado”, sustentam outros. Detalhe: Huck, de fato, era o assaltado; Ferréz é só um empresário, eleito pelos descolados o porta-voz da periferia, que julga poder falar em nome do “oprimido-assaltante”.

    Mais ainda: a Ferréz, que recorreu apenas a um truque para não ter problemas legais, pede-se a compreensão que se dispensa a um ficcionista; o “Correria”, seu personagem, não seria um norte moral. E por que não a mesma compreensão, então, com esse fetiche às avessas das esquerdas, o capitão Nascimento? Também ele não é uma construção ficcional? Por que Ferréz é tomado como paladino da Justiça, e José Padilha, diretor de Tropa de Elite, como um fascistóide?

    Às esquerdas caberia este mínimo de decoro: considerar que se trata de duas ficções. Se o texto de Ferréz não é um convite ao roubo — como dizem não ser (eu acho que é) —, o filme de Padilha não pode ser chamado de um convite à tortura. Essa equivalência, deixo claro, é um dever segundo a moral delas, não segundo a minha. Para mim, resta evidente que são personagens desiguais: Nascimento combate bandidos; o “Correria” é o bandido. Nascimento é uma personagem ambígua, incorruptível, sim, mas que adota a tortura e desrespeita a lei quando acha necessário. Também é um homem doente, perseguido pelos fantasmas da profissão. Já o “Correria” de Ferréz é só uma “vítima” da sociedade. O texto deixa claro que ele nos assalta e pode nos matar, mas o faz por culpa nossa — as nossas culpas sociais.

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