Caso Champinha: discursos equivocados
Na Folha On Line. Volto em seguida: “Espero que a Febem [Fundação Casa] não abra mais sindicâncias, pois não se chega a nada. Eles [funcionários da instituição] devem ser punidos como criminosos”, disse o advogado Ari Friedenbach, pai da adolescente Liana Friedenbach, morta pelo jovem que fugiu nesta quarta-feira da unidade Tietê do complexo Vila […]
“Espero que a Febem [Fundação Casa] não abra mais sindicâncias, pois não se chega a nada. Eles [funcionários da instituição] devem ser punidos como criminosos”, disse o advogado Ari Friedenbach, pai da adolescente Liana Friedenbach, morta pelo jovem que fugiu nesta quarta-feira da unidade Tietê do complexo Vila Maria (zona norte de São Paulo).
Para o advogado, as circunstâncias em que o rapaz fugiu indicam a possibilidade de conivência dos funcionários da Fundação Casa. A Secretaria da Justiça anunciou o afastamento do diretor da unidade Tietê do complexo Vila Maria e 20 funcionários da segurança.
O jovem estava no chamado “seguro”, onde ficam os internos que têm rixas com os outros adolescentes ou que são jurados de morte. A área fica no setor administrativo da unidade.
Por volta das 18h, o rapaz apoiou uma escada no muro da unidade –que dá acesso à marginal Tietê– e fugiu, de acordo com a secretaria. Os agentes de segurança que deveriam vigiar o local estavam em outra parte do complexo.
“Eu já imaginava que isso aconteceria. Temos fugas diárias na Febem. Me surpreende a falta de capacidade do Estado em manter um “menor’ perigoso como ele”, afirmou o pai de Liana.
Ari espera que, após a fuga, agora o assassino seja recapturado, preso e assim pague pelo crime como um criminoso adulto. “Acho que isso deve ocorrer com a fuga”.
O pai da adolescente morta disse que foi tomado por um sentimento de indignação ao saber da fuga do rapaz que matou sua filha. “O Estado é muito irresponsável em permitir que isso ocorra. Ao que tudo indica, foi conivência”, afirmou Ari.
Membros da corregedoria da fundação estiveram nesta noite na unidade e ouviram funcionários. Uma sindicância vai apurar a partir de amanhã.
Os funcionários serão questionados sobre como o adolescente teve acesso a uma escada e porque não havia ninguém vigiando o local.
Voltei
Compreendo a revolta de Ari Friedenbach, pai de Liana. Qualquer um de nós em seu lugar diria o mesmo, ou coisa muito pior. Logo depois do assassinato de sua filha e do namorado dela, ele iniciou um movimento em favor da redução da maioridade penal. Depois, acabou fagocitado pelos humanistas do pé quebrado. Faz menos de uma semana, Friedenbach estava numa entrevista do Estadão falando contra a maioridade penal aos 16 anos, falando, inclusive, sobre as origens sociais da violência. Havia mudado de idéia.
A lição moral sub-reptícia da reportagem era a seguinte: “se ele, pai de uma garota morta naquelas circunstâncias horríveis, é contra a maioridade penal aos 16, quem é você, leitor, para ser a favor?” Friedenbach não percebeu que passou a ser usado por uma causa. O mesmo ambiente que se opõe à maioridade é o que defende esse tratamento mais relaxado para os menores assassinos. Fosse outra a lei, Champinha estaria na cadeia.
Friedenbach, o pai da vítima, reitero, tem todo o direito de se revoltar. Mas o advogado Friedenbach sabe que falou besteira quando defendeu a punição “como criminosos” dos funcionários da Casa. Calma lá. É claro que cheira mal. Mas o governo chegou ao limite do que era possível fazer: afastou o diretor e instaurou uma sindicância.
O governo que se cuide. Desde a gestão Covas, essa mão-de-obra é bastante complicada, a começar por seu especial pendor pelo proselitismo político.







