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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Alckmin mais à esquerda? Consta que é o que promete… Chalita!

No post abaixo, refiro-me a um texto do Estadão de domingo sobre o neo-esquerdista Gabriel Chalita, deputado federal eleito pelo PSB. Embora não fale em on, ele próprio é a principal fonte da reportagem. Destaco alguns trechos: “Reabilitado por Geraldo Alckmin (PSDB) e de volta ao centro de poder paulista, o vereador e deputado eleito […]

Por Reinaldo Azevedo 17 jan 2011, 18h53 | Atualizado em 31 jul 2020, 13h07
Alckmin mais à esquerda? Consta que é o que promete… Chalita! Priorizar nos meus resultados Google

No post abaixo, refiro-me a um texto do Estadão de domingo sobre o neo-esquerdista Gabriel Chalita, deputado federal eleito pelo PSB. Embora não fale em on, ele próprio é a principal fonte da reportagem. Destaco alguns trechos:

“Reabilitado por Geraldo Alckmin (PSDB) e de volta ao centro de poder paulista, o vereador e deputado eleito Gabriel Chalita (PSB), de 41 anos, conseguiu um papel espinhoso na crônica política nacional: desfilar com desenvoltura entre tucanos e petistas. A 15 dias de tomar posse como segundo deputado mais votado do Estado, com 560 mil votos – atrás do fenômeno Tiririca (PR) -, Chalita começa a se vislumbrar como terceira via na sucessão de Gilberto Kassab (DEM) em 2012.

“É a volta dos que não foram”, brinca um aliado ao comentar o “retorno”, após o exílio político na gestão José Serra.
(…)
No PSB, partido da base dos governos federal e estadual, Chalita flerta com Dilma e Alckmin. (…). O secretário de Desenvolvimento Social, Paulo Barbosa, foi seu adjunto na Educação. Eloisa de Souza Arruda (Justiça) foi professora com Chalita na Escola Paulista de Direito. O secretário da Educação, Herman Voorwald, constava de uma lista feita pelo vereador com “sugestões” para a pasta.

Em jantar recente com um grupo petista, Chalita afirmou que pretende colaborar para que Alckmin dê a sua gestão um viés “mais para a esquerda”. Disse que o governador construiu uma imagem muito conservadora e isso seria um impeditivo para deslanchar nacionalmente – em 2006, Alckmin queria Chalita coordenador do plano de governo na corrida pela Presidência.
(…)
Chalita fortaleceu laços com diversos setores da Igreja, o que lhe rendeu frutos políticos. Amigo dos padres-cantores Fábio de Melo e Marcelo Rossi, venceu a resistência de setores mais progressistas. O padre Júlio Lancellotti não queria sua indicação para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal por avaliar que ele era ligado à direita. Hoje tem boa relação com o vereador.

O namoro com o PT começou pelas mãos do ministro Gilberto Carvalho e consolidou-se na campanha, ao aproximar os católicos de Dilma. Esteve por perto no tratamento de combate ao câncer e ganhou o apelido de Chalitinha. “Ele se tornou um interlocutor com esses setores, o que foi muito importante para nós na eleição”, diz o vereador José Américo (PT).

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Foi do PT paulista a articulação para entrar no PSB. Em 2012, petistas querem amarrar com o vereador uma chapa conjunta ou uma aliança no segundo turno. Alckmistas dizem que o PSDB terá candidato, mas o nome do “coração” do governador é Chalita.
(…)

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Acho que já basta, não?

Comecemos pelo principal. O chamado “Alckmin conservador” — seja lá o que isso signifique — já deu três surras eleitorais no petismo em São Paulo: quando se elegeu governador a primeira vez, quando venceu Lula no estado em 2006 e, agora, em 2010. Ainda que fosse uma verdade inquestionável essa história de ser um nome “tipicamente paulista”, isso nada tem a ver com o seu eventual posicionamento ideológico.

Chalita, vejam vocês, estaria empenhando em levar o governo “mais para a esquerda”, como se ele próprio tivesse alguma experiência nessa área. Caiu nas graças do PT porque, evidentemente, era da conveniência do partido contar com a adesão de um nome vindo do tucanato, desafeto declarado de José Serra. E não descarto que tenha realmente criado uma relação de simpatia com Dilma. Senhoras na idade dela costumam gostar da fala mansa de Chalita e de sua poesia cheia de passarinhos que trinam e saltitam.

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“Chalitinha” contribuiu enormemente para dar um downgrade da administração Alckmin em São Paulo. Sua “pedagogia do amor” não passa de verborragia oca. Escoimada dos substantivos abstratos e batatadas de poetastro, é menos do que nada. Pois é este cavalheiro quem se apresenta, segundo se lê na reportagem, para mudar a imagem de Alckmin — que, diga-se, no que concerne a esse particular, não precisaria de mudança nenhuma. Ao contrário: dada a atual narrativa da política, há espaço para antagonistas; a área dos protagonistas já está congestionada.

Tudo o que se diz nos bastidores da relação de Alckmin com Chalita — e o próprio deputado é o principal plantador — é verdade? Se for, pior para o governo de São Paulo, para Alckmin e para as oposições. Chalita hoje é uma peça marginal da hegemonia petista. Se é verdade que se tornou o estrategista do governo de São Paulo e a opção do governador para a Prefeitura em 2012, então é Alckmin quem busca não mais do que um lugar periférico na política nacional. Pessoalmente, desconfio um tanto de boa parte do que leio. Chalita sempre foi muito competente em parecer competente e sempre foi muito eficiente em parecer poderoso.

Numa das narrativas dadas como possível, Alckmin apoiaria, para todos os efeitos, o cru Bruno Covas para a Prefeitura de São Paulo, mas, na prática, apostaria suas fichas em Chalita, que seria um bom nome tanto para enfrentar os petistas como para compor com eles. Huuummm… É macumbaria demais, acho eu, e um bom caminho para entregar a Prefeitura de São Paulo ao PT no primeiro turno. Vamos ver.

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Alckmin faria bem se chamasse o seu “amigo” e lhe pedisse um pouco mais de moderação ao relatar a sua suposta influência no governo. Já basta o que se disse e se leu sobre a Secretaria de Educação. Paulo Renato vinha fazendo um ótimo trabalho — ousando enfrentar, sim, quando era o caso, o comportamento rombudo do sindicalismo brucutu. A versão plantada pela turma de Chalita é a de que a escolha de Herman Voorwald para o cargo buscava mais “diálogo” com os professores — leia-se: a banda podre dos sindicatos que rejeita mecanismos de qualificação intelectual do professorado e de aferição de desempenho. Seria parte da construção de uma imagem “menos conservadora”?

“Chalitinha” era impiedosamente ridicularizado pelas esquerdas e por boa parte da imprensa até anteontem. Tendo migrado para o PSB, alguns lhe dispensam agora o tratamento de “estrategista”. Ao menos até que venha a se bater com algum petista, não é mesmo?

Não sei o que quer dizer “imagem menos conservadora”. Sei o que quer dizer um governador sereno, cumpridor das leis. Se Alckmin acredita — e, sinceramente, acho que ele é muito mais esperto do que isso — que pode conquistar fatias dos “movimentos sociais” sob a órbita do petismo, estará fazendo uma aposta estupidamente errada. Não há “Chalitinha” que possa mudar, por exemplo, a determinação do PT de levar o governador para as cordas. Basta que o líder paulista leia o noticiário e compare: quem conseguiu mais notícias negativas nestes primeiros 17 dias de governo: ele próprio ou Sérgio Cabral?

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Há homens trabalhando ativamente para isso, governador! E não há fala mansa que consiga mudar essa determinação dos adversários. A idéia de que o deputado eleito do PSB possa ser a ponte entre dois mundos interessa só à biografia do próprio mistificador.

Com todo o seu amor dedicado, Chalita conseguiu o prodígio de transformar Alckmin numa espécie de cria sua, alguém que age sob a sua influência, como se, a rigor, na origem, não fosse exatamente o contrário. Cada um faça de si o que achar melhor: de Chalita, Alckmin deveria é guardar distância se não quiser ficar menor do que a sua  antiga criatura. Mas isso é com ele. Falo o que antevejo.

Finalmente, leio que o padre Júlio Lacelotti, aquele, passou a achar que Chalita é um cara legal. Faz um sentido danado! Muito mais do que parece. Ambos descobriram que partilham o mesmo credo, suponho.

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*
PS – Sempre chamo as coisas pelo nome e não ignoro o contexto em que elas se dão. Não faltará quem diga algo como: “Olhem lá o Serra pedindo pra bater no Chalita”. Digam o que quiserem. Não dou a mínima. Até parece que preciso de “instrução” para combater alguém que, numa reunião com o PT, promete que o governo de São Paulo caminhará mais para a esquerda…

PS2 – Parece que Chalita finaliza seu 53º livro… Quem sabe, agora neo-esquerdista, ele consiga a primeira resenha positiva assinada por algum dignitário do Partido da Imprensa Petista.

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