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AINDA OBAMA, NÉ?

Na entrevista a Jô Soares, falei sobre a eleição americana também. Nada de espetacular ou muito original. Apenas me declarei “eleitor” de McCain a uma platéia, a exemplo do que ocorre no mundo, majoritariamente “eleitora” de Obama, como já estava claro àquela altura. Muitos de vocês verão. E afirmei o que escrevi aqui na madrugada. […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 18h39 - Publicado em 5 nov 2008, 20h17
Na entrevista a Jô Soares, falei sobre a eleição americana também. Nada de espetacular ou muito original. Apenas me declarei “eleitor” de McCain a uma platéia, a exemplo do que ocorre no mundo, majoritariamente “eleitora” de Obama, como já estava claro àquela altura. Muitos de vocês verão. E afirmei o que escrevi aqui na madrugada. Acho que algumas alas do Partido Democrata e os que integram a “metafísica” obamista podem ficar mais chateados com o seu governo do que eu ou muitos republicanos. Não deu tempo de evidenciar tudo o que me desagradou muito durante a campanha, especialmente a armadilha lógica segundo a qual o candidato democrata deveria ser eleito com 100% dos votos. A trapaça argumentativa está naquele texto desta madrugada.

Um amigo contesta, com dureza, trecho de um dos meus posts em que, comentando o discurso da vitória — sem dúvida correto, pregando a unidade do país —, escrevi: “Obama] também falou de um país separado em estados ‘vermelhos’ (republicanos) e ‘azuis’ (democratas) para disparar, com os olhos severos e um olhar muito bem treinado para dar a impressão de que enxerga alguma coisa no horizonte: ‘Somos e seremos sempre os Estados Unidos da América’. E falou em ‘curar’ as divisões do país.” Ele interpretou o trecho como uma crítica que sugere representação, falsidade ou algo do gênero.

Nada disso. Apenas apontei uma característica da personagem Barack Obama: o tom grandiloqüente, que lhe foi muito útil na campanha. Em contraste, inclusive, com a fala sempre muito acanhada de John McCain, que é ruim de oratória pra chuchu, já observei aqui tantas vezes. Obama dá a impressão de que, para pedir um sorvete, poderia rivalizar com o próprio Cícero desancando Catilina. É claro que ele não deve ser assim na vida doméstica ou privada. Mas que fique claro: apontei uma característica, não fiz uma censura. Eu sou favorável à pose e à solenidade na política. Ao contrário até: acho que a vigarice é mais íntima da descontração excessiva, se é que não estou sendo sutil demais…

Ver políticos como personagens é uma leitura, de caráter defensivo, que, acredito, todo mundo deve fazer. E Obama é uma personagem notável. O seu “We can” (de fato, “I can”) é uma versão sincopada do que já é um adágio de Kennedy: “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer pelo seu país”. A forma resumida transforma o lema numa coisa mais pessoal, relida, de modo que “fazer pelo seu país é, de fato, fazer por você”. Em muitos aspectos, ele, com efeito, lembra Kennedy, que, tudo somado, também poderia parecer um presidente impossível, vindo da minoria católica. O conservador e guerreiro Kennedy é, até hoje, saudado como a expressão da América mais “progressista”.

Obama não tem uma obra política (ou tem?) ou uma longa trajetória (ou tem?) que nos permitam testar a sua coerência. Tem os livros e os discursos. Não li os primeiros — só artigos de gente que os leu — e conheço algumas de suas intervenções públicas. Nada que não pudesse ser endossado por muitos republicanos — ele seduziu uma ala reaganista, por exemplo.

Mas qual será a prática que ele vai, atenção para o verbo, INAUGURAR? Ela vai dizer quem é Obama além dos livros e de seu primeiro mandato de senador. Teremos um político ainda na fase de estréia no topo do mundo. Tomara que dê certo. O mundo ficará grato.

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