Afix x Suplicy
Mais árdua será a batalha de Afif Demingos, que terá de se confrontar com Eduardo Suplicy (PT-SP), que disputa o Senado pela terceira vez consecutiva e com grandes chances de ser reeleito. É o homem do Renda Mínima, sua obsessão. Em qualquer país do mundo, a proposta seria considerada parte de um programa, digamos, conservador. […]
Mais árdua será a batalha de Afif Demingos, que terá de se confrontar com Eduardo Suplicy (PT-SP), que disputa o Senado pela terceira vez consecutiva e com grandes chances de ser reeleito. É o homem do Renda Mínima, sua obsessão. Em qualquer país do mundo, a proposta seria considerada parte de um programa, digamos, conservador. Em Banânia, é tida como esquerdista. Suplicy soma um coquetel de pequenos mitos difícil de combater. Tem um comportamento cordato com as oposições, sempre procurando dar explicações, e transformou num ativo político habilmente manipulado a sua fama de simplório, de puro. Vem de duas famílias ricas e tradicionais e é visto como um nobre generoso entre plebeus. Com a ex-mulher, Marta Suplicy, formava o casal dos bacanas, como direi?, “prafrentex” (como sou antigo!). Já tentou cargo executivo e se deu mal. Os paulistas tendem a achar que seu lugar é no Congresso, onde sua ingenuidade seria útil, e sua lentidão, inócua . Passou longe da crise do mensalão, sempre defendeu a convocação dos “companheiros” pelas CPIs, mas nunca fez a crítica essencial ao petismo — que, na sua visão, continua bom, porém distorcido. Tinha caído em desgraça com José Dirceu e sua turma. Se o ex-ministro tivesse sobrevivido politicamente, talvez o senador nem tivesse ficado com a vaga. Dirceu o detesta. Os fatos impediram que viesse a se tornar uma vítima vistosa do centralismo democrático. Onde houver um oprimido de carteirinha, de criança de rua a presidiário, lá estão o senador e sua pureza. Afif já teve mais densidade eleitoral, mas é articulado e simpático. Sua base é na capital, mas, creio, deve concentrar a campanha no interior, mais refratário ao petismo — mesmo em se tratando de Suplicy, visto como um não petista. Chegou a hora de o PFL escarafunchar os quase 16 anos de mandato do homem para saber qual foi sua grande contribuição ao Estado que ele representa no Senado.







