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A hora dos comentários bucéfalos

Acho que foi em textos de minha amiga Barbara Gancia que vi a palavra “bucéfalo” como adjetivo. Adotei. Sim, há pessoas bucéfalas. Há até bucéfalos que são bucéfalos. Já havia começado a bater uma ondinha aqui de gente tentando fazer o que deve considerar uma provocação inteligente: “E aí? Não vai comentar a ajuda dos […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 19h01 - Publicado em 9 set 2008, 06h09
Acho que foi em textos de minha amiga Barbara Gancia que vi a palavra “bucéfalo” como adjetivo. Adotei. Sim, há pessoas bucéfalas. Há até bucéfalos que são bucéfalos.

Já havia começado a bater uma ondinha aqui de gente tentando fazer o que deve considerar uma provocação inteligente: “E aí? Não vai comentar a ajuda dos Estados Unidos ao mercado imobiliário? E como fica o neoliberalismo nessa?”

E eu aqui: “???”

Uai, e eu lá sou procurador do neoliberalismo? Eu nem reconheço, e já escrevi tantas vezes, que tenha havido um! O neoliberalismo, na forma como é usado por aí, é uma invenção dos amantes do estado para tentar demonizar aquilo de que não gostam. Eles é que inventaram que havia um grupo de pessoas empenhadas em destruir o estado e os estados nacionais.

Os valentes acreditam que a ajuda do governo americano aos bancos e, agora, ao setor imobiliário demonstra, uma vez mais, que o capitalismo é mesmo, vocês sabem, um sistema só de fachada. Na hora “h”, apela-se ao estado. Mas esperem: quer dizer que, então, os liberais — ou “neoliberais” — deveriam, em nome dos seus princípios, deixar a economia ir à bancarrota, é isso? E quem pagaria o pato nesse caso?

Aí leio na Folha Online o que segue. Volto depois:A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou nesta segunda-feira que a intervenção do governo dos Estados Unidos nas duas maiores empresas de hipotecas do país mostra que o neoliberalismo é uma política que nunca valeu para os países desenvolvidos.“O neoliberalismo é uma política para os países em desenvolvimento. Nunca foi uma política para os países desenvolvidos, muito menos para os EUA”, afirmou a ministra, que representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de abertura das comemorações dos 200 anos do Ministério da Fazenda.Dilma afirmou que nunca houve enfraquecimento do Estado Nacional, como propõe o neoliberalismo, nessas economias em prol do mercado financeiro.A ministra afirmou também que não é a primeira vez em que há um socorro desse tipo. Ela citou a quebra do fundo LTCM (Long Term Capital Management) em 1998, que desencadeou uma crise internacional na época.“Não é a primeira vez que fazem isso. Fizeram isso quando começou a quebrar aquele fundo LTCM e eles injetaram recursos”, disse.(…)”Comento Com todo respeito, a ministra não sabe o que diz e está apenas fazendo uma inútil guerrilhazinha ideológica. Todos os países, pouco importa o sistema que adotem, têm a obrigação de intervir se percebem que a economia caminha para o caos. É para isso que existem estados, governos e afins. E isso não quer dizer que, então, o estado é o melhor gestor da economia — porque a história demonstra que não é. Não se trata de uma questão de gosto, mas de fato.

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O Brasil já recorreu a uma intervenção importantíssima, que o salvou do caos financeiro e ajudou a criar as bases da estabilidade em que o Apedeuta navega hoje: o Proer. E foi uma intervenção feita por um governo que o PT chamava de “neoliberal” — aliás, o petismo dizia haver neoliberalismo no Brasil até no regime de câmbio fixo, o que, bem, é coisa de bucéfalos…

Qual foi a tradução que o PT deu para o intervencionista Proer? O governo “neoliberal” — bucéfalos! —, comandado por banqueiros, está roubando os cofres públicos. E aquela, de fato, foi um engenharia financeira necessária e correta que impediu que o país entrasse numa crise gigantesca. A conseqüência é que o Brasil tem hoje um sistema financeiro sólido, que concorre para a estabilidade econômica, o que faculta ao Apedeuta as suas bravatas exultórias.

Como é fácil enganar trouxas com conversa mole, não?

Texto originalmente publicado ontem, às 18h27
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